Projeção do ONS para 2026 Indica Crescimento Moderado da Carga Nacional com Foco no Nordeste

Projeção do ONS para 2026 Indica Crescimento Moderado da Carga Nacional com Foco no Nordeste
Projeção do ONS para 2026 Indica Crescimento Moderado da Carga Nacional com Foco no Nordeste - Foto: Reprodução / Freepik AI
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O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta avanço contido da demanda energética brasileira para 2026, destacando a expansão acentuada no subsistema Nordeste.

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A Média Nacional: 4,6% em Perspectiva

Os números frios, extraídos das últimas divulgações do ONS, apontam um aumento esperado de aproximadamente 4,6% na carga total do Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2026 frente ao ano anterior, elevando a demanda média para cerca de 85.067 MW médios. Este percentual, que se encaixa na descrição de crescimento moderado, é vital para entender o ritmo de expansão da capacidade instalada necessária.

É importante notar que este valor reflete a maturidade do sistema e o impacto de ganhos contínuos em eficiência energética. O mercado consumidor, especialmente o industrial, parece ter absorvido grande parte do potencial de expansão rápida, estabilizando a curva de demanda.

No entanto, para quem acompanha o histórico de longo prazo (como o Planejamento Anual da Expansão – PLAN), esse crescimento é menor que os picos observados em anos de forte retomada econômica, mas maior que os períodos de estagnação. A carga cresce, mas em passo compassado.

O Motor Regional: Nordeste Lidera a Expansão

A verdadeira surpresa e o ponto de maior atenção no relatório do ONS reside na divergência regional. Enquanto a média nacional é contida, o subsistema Nordeste desponta como o grande motor de demanda para 2026.

A projeção para esta região é significativamente mais robusta, beirando os 5,8% de expansão. Esse salto não é apenas reflexo de maior atividade econômica local; ele está intrinsecamente ligado ao boom da energia renovável, especialmente a eólica offshore e a solar em larga escala que se consolidam no grid nordestino.

Para os geradores de energia renovável, o Nordeste se consolida como a área de maior risco/oportunidade. Maior carga significa maior capacidade de absorção local, diminuindo a pressão sobre o escoamento de energia via transmissão para outras regiões.

Implicações para a Sustentabilidade e o Despacho

Um crescimento moderado da carga nacional apresenta um dilema clássico para a sustentabilidade: como acomodar a nova capacidade de fontes limpas sem gerar curtailment?

Se a demanda cresce a 4,6% e a capacidade de geração renovável (principalmente solar/eólica) cresce a taxas muito superiores – como visto nos últimos anos –, o risco de excedentes no shoulder de geração (manhã e final de tarde) permanece alto.

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O ONS precisará afinar ainda mais seus modelos de despacho, priorizando a flexibilidade de usinas térmicas e o gerenciamento de hidrelétricas para absorver a intermitência e os picos de oferta. A previsão sugere que o investimento em armazenamento e tecnologias de resposta rápida será um fator decisivo para a rentabilidade dos projetos de energia limpa que entrarão em operação em 2026.

Transmissão: O Calcanhar de Aquiles da Expansão

O salto projetado no Nordeste impõe pressão imediata sobre a infraestrutura de transmissão. É impossível sustentar uma carga em forte ascensão sem linhas robustas para escoar a geração.

O relatório do ONS sempre anda de mãos dadas com os planos de expansão, e esta projeção de 4,6% de crescimento da carga reforça a urgência em finalizar os leilões e as obras de reforço, especialmente as interligações Sul-Sudeste e as novas linhas de escoamento no Nordeste. Falhas na transmissão podem transformar o potencial de geração limpa em prejuízo, subutilizando ativos caros.

Estratégia de Mercado: Contratos e Preços

Para o mercado livre (ACL), a previsão de crescimento moderado sugere um mercado mais equilibrado em termos de spot. Um aumento de carga previsível não deve gerar sustos inflacionários de preço no curto prazo, desde que a hidrologia se mantenha dentro da média histórica.

Com a demanda estável, a negociação de energia tende a se concentrar mais na otimização de basis (diferença de preço entre os subsistemas) e na segurança de long-term contracts. Geradores com alta previsibilidade (como PCHs e grandes hídricas) terão maior poder de barganha, enquanto geradores intermitentes dependerão de hedges mais sofisticados para cobrir os riscos de preço de liquidação das diferenças.

Olhar para o Futuro: A Inércia Positiva

Embora a palavra “moderado” possa soar pessimista, o crescimento projetado pelo ONS para 2026 é, na verdade, um sinal de estabilidade resiliente. Ele indica que o Brasil está caminhando para um patamar de consumo mais maduro, impulsionado pela digitalização e eletrificação, mas sem os picos voláteis de décadas passadas.

Para a sustentabilidade, este cenário é um convite à cautela planejada: é preciso continuar investindo em energia renovável, mas com um olhar aguçado na transmissão e no armazenamento, garantindo que a carga do sistema possa sempre acompanhar, de forma segura e econômica, o avanço das fontes limpas. O ONS nos deu o mapa: agora cabe ao setor adaptar a frota para navegar estas águas de crescimento estável, mas exigente.

Visão Geral

A projeção do ONS para 2026 indica um crescimento moderado de 4,6% na carga nacional, com o Nordeste liderando a expansão regional (5,8%), impulsionado pela energia renovável. O cenário exige foco renovado em transmissão e flexibilidade de despacho para gerenciar o avanço das fontes limpas sem comprometer a segurança e a sustentabilidade do sistema.

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