A consultoria Ampere projeta que os Reservatórios do SIN fecharão 2025 com 51,4%, um indicador crucial para a estabilidade do Setor Elétrico brasileiro.
Conteúdo
- O Contexto da Projeção de 51,4% para 2025
- A Dinâmica do PLD e o Impacto no Mercado
- O Papel da Energia Renovável na Estabilidade
- Cenários e Riscos para o Nível dos Reservatórios
- O Alinhamento com as Políticas Energéticas
- Visão Geral
O Contexto da Projeção de 51,4% para 2025
A projeção de 51,4% para o final de 2025, feita pela Ampere, sugere que o Brasil deve transitar para 2026 com uma margem de segurança considerada adequada. É importante notar que este patamar reflete uma resiliência do SIN, resultado de chuvas dentro ou ligeiramente acima da média histórica e, crucialmente, da expansão robusta da Energia Renovável complementar.
A métrica de Energia Armazenada (EAR) em 51,4% alivia a pressão sobre o despacho de usinas termelétricas, que possuem custo operacional significativamente mais alto. Historicamente, níveis confortáveis de reservação permitem manter o Custo Marginal de Operação (CMO) baixo, favorecendo a economia do país.
A análise da Ampere considera uma afluência (chuvas que chegam aos reservatórios) próxima à Média de Longo Termo (MLT) para a próxima estação úmida. O desempenho de cada subsistema regional (Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte) é, no entanto, heterogêneo e deve ser acompanhado de perto pelo mercado.
O subsistema Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO), o mais relevante em volume de Reservatórios, é o principal foco de atenção. Se essa região mantiver um bom índice de recuperação, a meta de 51,4% no SIN se torna mais realista e o risco hidrológico diminui.
A Dinâmica do PLD e o Impacto no Mercado
A estabilidade dos Reservatórios é o principal vetor do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Uma previsão de 51,4% ao final do ano tende a manter o PLD em patamares baixos, ou, pelo menos, evitar picos extremos.
Essa perspectiva favorece o Setor Elétrico ao reduzir a incerteza e permitir contratos de energia a preços mais competitivos no Mercado Livre. Comercializadoras e consumidores buscam previsibilidade, e a projeção da Ampere contribui para um horizonte mais claro.
Contudo, é fundamental lembrar que o PLD não reage apenas ao volume dos Reservatórios. A demanda de carga, especialmente no verão e no inverno, e a disponibilidade de geração eólica e solar são fatores determinantes que podem forçar o despacho de termelétricas, mesmo com a Energia Armazenada em bons níveis.
A Ampere sugere que, com 51,4%, o sistema pode absorver variações climáticas regionais sem a necessidade de acionamentos térmicos custosos e contínuos. Isso se traduz em um benefício direto para a tarifa final e para o balanço financeiro dos agentes.
O Papel da Energia Renovável na Estabilidade
O fato de os Reservatórios do SIN estarem projetados para fechar o ano com 51,4% é uma vitória compartilhada com as fontes Energia Renovável intermitentes, como a eólica e a solar. Sem a contribuição massiva dessas fontes, a pressão sobre a Geração Hidráulica seria insustentável.
A injeção de Energia Renovável nos períodos de pico solar ou eólico permite “poupar água”, reservando a Geração Hidráulica para os momentos de maior demanda ou para compensar a intermitência. Essa sinergia é a chave para a nova matriz energética brasileira.
Consultores da Ampere e de outras casas de análise concordam que o crescimento da capacidade instalada de Energia Renovável é o principal fator de mitigação de risco hidrológico. Essa diversificação torna o Setor Elétrico menos vulnerável a longos períodos de estiagem.
Para os profissionais que investem em Energia Renovável, o cenário de 51,4% reforça a tese de investimento. O sistema é robusto o suficiente para absorver a nova geração, mas ainda depende da Geração Hidráulica como backup estratégico.
Cenários e Riscos para o Nível dos Reservatórios
Embora a previsão de 51,4% seja animadora, o Setor Elétrico trabalha com cenários de risco. A principal ameaça é a ocorrência de um El Niño ou La Niña severos que alterem drasticamente o regime de chuvas previsto pela Ampere para o final de 2025.
Se a afluência ficar muito abaixo da MLT, o nível dos Reservatórios pode cair rapidamente, forçando o aumento do CMO e, consequentemente, a alta do PLD. Por outro lado, a afluência acima da MLT pode elevar o nível acima dos 51,4% e consolidar um cenário de preços de energia mais baixos para 2026.
A Ampere baseia seu modelo em dados hidrometeorológicos complexos, mas a natureza imprevisível do clima exige cautela. O acompanhamento semanal dos boletins do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) é essencial para validar as premissas da Energia Armazenada.
Os agentes de mercado estão cada vez mais sofisticados na gestão de risco, utilizando instrumentos financeiros de hedge e a contratação de energia de diferentes fontes. A projeção de 51,4% da Ampere serve como âncora para essas decisões de trading e risk management.
O Alinhamento com as Políticas Energéticas
A manutenção dos Reservatórios em patamares confortáveis, como os 51,4% previstos pela Ampere, está diretamente ligada aos objetivos de sustentabilidade e segurança energética do país. Níveis saudáveis reduzem a necessidade de acionar termelétricas a combustíveis fósseis.
A transição energética, focada em fontes limpas, depende dessa estabilidade hídrica para ser eficiente. A Geração Hidráulica continua sendo a base do SIN, atuando como a principal bateria do Brasil.
O Setor Elétrico precisa equilibrar a otimização da Energia Armazenada com as regras de uso múltiplo da água, que também envolvem abastecimento humano e irrigação. A projeção da Ampere indica que, para 2025, o balanço deve ser favorável.
Visão Geral
Em resumo, a previsão de 51,4% da Ampere é uma notícia positiva, mas que exige vigilância. Para os profissionais, significa um sinal de estabilidade no PLD e um bom colchão de segurança para enfrentar o próximo ciclo hidrológico seco, desde que a Energia Renovável e o clima cooperem.



















