Um dos pontos centrais será a dinâmica da inflação, que apresenta desaceleração cheia sustentada por bens industriais e alimentos
Um dos pontos centrais será a dinâmica da inflação, que apresenta desaceleração cheia sustentada por bens industriais e alimentos
Por Hugo Garbe – SP
A economia brasileira em 2026 será moldada por uma combinação de fatores: incertezas no cenário externo, pressões internas e oportunidades para reorganizar a produção.
O país inicia o ano com a inflação relativamente sob controle, um mercado de trabalho aquecido e uma política monetária que avança cautelosamente na redução da taxa de juros, buscando manter a credibilidade alcançada nos anos anteriores.
Um aspecto crucial será o comportamento da inflação. Embora a inflação geral (cheia) esteja desacelerando, impulsionada por alimentos e bens industriais, o setor de serviços demonstra persistência. Este quadro é comum em economias com alta demanda, resultado de um mercado de trabalho apertado e aumento da renda real.
A previsão para 2026 é que a inflação se mantenha dentro ou muito perto da meta estabelecida. No entanto, a resistência da inflação de serviços exige vigilância por parte do Banco Central (BC). A gestão das expectativas será fundamental para evitar que o ano eleitoral gere instabilidade nos preços administrados ou nos reajustes salariais.
Neste contexto, a política monetária deve prosseguir de forma gradual. O BC provavelmente manterá um ritmo moderado nos cortes de juros, atrelando qualquer aceleração à continuidade da disciplina fiscal.
Mesmo com a esperada queda dos juros nos Estados Unidos — o que alivia o risco cambial e abre espaço para cortes internos —, a autoridade monetária brasileira precisará equilibrar prudência e previsibilidade.
Em 2026, o país deve operar com juros reais menores se comparados aos anos anteriores, mas ainda acima dos padrões internacionais. Isso reflete fatores cíclicos somados a questões estruturais, como incertezas fiscais, baixa produtividade e rigidez institucional.
A política fiscal torna-se central devido ao calendário eleitoral. O arcabouço fiscal exige resultados concretos, e qualquer tentativa de aumentar despesas sem fontes de financiamento claras pode elevar o prêmio de risco, desvalorizar o câmbio e desfazer ganhos na desinflação.
O mercado estará atento às decisões do governo sobre a recuperação de receitas, a evolução das despesas obrigatórias e o cumprimento das metas fiscais. Quanto mais firme o compromisso com o equilíbrio fiscal, mais fácil será a convergência dos juros e a estabilização das expectativas.
Copa do Mundo e Fatores Globais
No setor produtivo, a combinação de juros ligeiramente mais baixos, um câmbio menos pressionado e uma possível melhora no cenário de investimento internacional criam condições para um crescimento moderado da atividade econômica.
Setores como infraestrutura, logística, energias renováveis, tecnologia financeira e agronegócio devem continuar crescendo acima da média.
A Copa do Mundo tende a injetar um impulso adicional no comércio, serviços e publicidade, movimentando a renda ao longo do ano. Embora não resolva os problemas estruturais da economia, esse evento ajuda a manter o Produto Interno Bruto (PIB) em um patamar estável, mesmo em meio à incerteza política.
A projeção do PIB para 2026 dependerá da interação entre fatores internos e externos. Se a política fiscal se mantiver dentro das regras acordadas, os juros continuarem em trajetória de queda e o cenário global apresentar menor instabilidade, o Brasil pode atingir um crescimento moderado, próximo ao seu potencial. Contudo, ruídos fiscais, atrasos regulatórios ou um cenário internacional adverso podem limitar o crescimento abaixo do esperado.
Em resumo, o próximo ano será um teste institucional. O controle da inflação depende da coordenação consistente entre as políticas fiscal e monetária. Espera-se uma queda cautelosa dos juros, e o crescimento do PIB deve ser moderado, sustentado por serviços, consumo e investimentos específicos.
A economia brasileira tem potencial para consolidar 2026 como um ano positivo, desde que consiga manter a previsibilidade, a disciplina fiscal e a capacidade de adaptação a um ambiente global ainda fragmentado.
(Hugo Garbe é professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie)
Visão Geral
A economia brasileira em 2026 enfrentará um cenário de desafios e oportunidades. O controle da inflação dependerá da gestão atenta dos preços de serviços e da manutenção das expectativas alinhadas, especialmente em um ano eleitoral. A política monetária deve seguir um caminho gradual de queda de juros, condicionado pela disciplina fiscal. O crescimento econômico será moderado, beneficiado por fatores como a Copa do Mundo e o avanço em setores estratégicos, mas o sucesso final dependerá da preservação do equilíbrio fiscal e da adaptação a um ambiente global incerto.
Créditos: Misto Brasil






















