Após a COP 28, a Declaração de Belém, assinada na COP 30, reforça o incentivo à demanda e triplicação de renováveis para cortes drásticos nas emissões de gases.
Conteúdo
- A Importância da Declaração de Belém para a Industrialização Verde
- Foco na Demanda: Promovendo a Industrialização Verde no Sul Global
- Desafios da Descarbonização da Indústria e Setores de Difícil Mitigação
- O Papel Pragmático do Setor Privado e a Regulamentação Necessária
- Visão Geral: Financiamento Climático e Novas Adesões
A Importância da Declaração de Belém para a Industrialização Verde
Um bloco de cerca de 30 nações chancelou o importante documento denominado Declaração de Belém. Esta iniciativa visa catapultar o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono em escala global. O objetivo central é meticulosamente traçar uma agenda abrangente que contenha propostas eficazes para eletrificar e descarbonizar diversos segmentos industriais ao redor do planeta. A declaração estabelece que a resposta imediata e viável reside na formação de robustas coalizões internacionais e na criação de padrões rigorosos. Estes padrões garantirão que os produtos sejam efetivamente descarbonizados, ao mesmo tempo em que a competitividade internacional seja preservada. Segundo Ana Toni, CEO da COP 30, engajar a indústria é o fator crucial para o atingimento das ambiciosas metas de redução de emissões e de gases de efeito estufa.
Foco na Demanda: Promovendo a Industrialização Verde no Sul Global
A urgência em agir junto à demanda é sublinhada logo no primeiro ponto da declaração, que exige o “Apoio a um esforço multilateral e multissetorial coordenado para promover a industrialização verde de uma forma justa e sustentável”. Este enfoque não apenas visa gerar novas oportunidades econômicas e sociais para todos os envolvidos, mas também acelerar de forma significativa os esforços essenciais no Sul Global. O texto, oficialmente intitulado “Declaração de Belém na Industrialização Verde Global”, foi divulgado em um evento ministerial de alto nível, reconhecendo que o segmento privado deve ser o principal motor para cortes profundos nas emissões da indústria pesada. Para atingir esses resultados, é indispensável o avanço em tecnologias limpas, desenvolvimento acelerado de energia renovável, sistemas de armazenamento, eficiência energética, produção circular e mineração sustentável. Sem estas ações coordenadas, as metas globais de redução de carbono permanecerão inalcançáveis.
Desafios da Descarbonização da Indústria e Setores de Difícil Mitigação
O presidente da COP 29, Mukhtar Babayev, enfatizou que descarbonizar a indústria é, sem dúvida, uma tarefa de elevada complexidade. Ele destacou, em particular, os setores que são notoriamente classificados como difíceis de mitigar, apresentando um desafio significativo para o panorama industrial global. Tais indústrias exigem políticas específicas de longo prazo que garantam a sustentabilidade e encorajem a discussão pública sobre o tema. Babayev ressaltou que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) dos países são ferramentas cruciais nesse processo de transição. Em seu próprio país, o Azerbaijão, a implementação de ações de redução de emissões começou em segmentos produtivos específicos, como químico e farmacêutico. Para sustentar essa transição, foi imperativa a implantação de uma infraestrutura diferenciada que pudesse, de fato, apoiar o consumo de energia verde, um conceito promovido pelo Portal Energia Limpa. A responsabilidade global das indústrias é fundamental para evitar uma crise climática mais severa.
O Papel Pragmático do Setor Privado e a Regulamentação Necessária
Ana Toni salienta a importância estratégica de atrair o setor privado, dada sua atuação inerentemente pragmática na economia. Contudo, para que o engajamento desse setor global seja maximizado, é absolutamente crucial que haja uma regulamentação bem definida e assertiva. Na sua avaliação, essas novas regras precisam ser concebidas de modo a proporcionar e manter a competitividade dentro do novo mercado delineado pela economia de baixa emissão de carbono. Após dez anos do Acordo de Paris, a crença é que todos os elementos necessários para agilizar a implementação das metas já estão disponíveis. A agilidade requer a mobilização dos atores que estão na ponta da execução: o setor privado e os governos subnacionais. É por isso que a presidência da COP tem dado ênfase ao trabalho conjunto com prefeitos e governadores, garantindo que a transformação ocorra em todos os níveis.
Visão Geral: Financiamento Climático e Novas Adesões
A iniciativa da Declaração de Belém se alinha perfeitamente com o objetivo estabelecido na COP 28 em Dubai, que consistiu na meta de triplicar a capacidade global de produção de energia renovável. Organizações como a Global Renewables Alliance reforçam essa urgência, apontando que cerca de 75% das emissões globais podem ser erradicadas utilizando apenas as tecnologias limpas que já estão disponíveis no mercado atualmente. A presidência da COP brasileira está empenhada em angariar novos signatários para a declaração, com especial atenção a países estratégicos, como a China – um dos maiores emissores e detentor de um setor industrial colossal. Mais do que um mero comunicado, este documento é visto pela COP 30 como uma ferramenta vital para alcançar a meta crítica de financiamento climático: mobilizar US$ 1,3 trilhão anualmente a partir de 2035 para a transição energética global.






















