Ondas de Choque no Setor Elétrico: Análise da Revogação de Outorgas de Geração Solar

Ondas de Choque no Setor Elétrico: Análise da Revogação de Outorgas de Geração Solar
Ondas de Choque no Setor Elétrico: Análise da Revogação de Outorgas de Geração Solar - Foto: Reprodução / Freepik
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A solicitação de revogação de 2 GW pela Solatio sinaliza graves pressões econômicas e operacionais no ecossistema de energia solar brasileiro.

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O Triunvirato da Inviabilidade: Um Pesadelo para Projetos PPA

A manchete resume os três fatores letais que derrubaram essa capacidade monumental: curtailment, juros e o fim de incentivos. Analisemos cada componente, que, juntos, corroeram a matemática financeira de um projeto que já estava em estágio avançado de desenvolvimento.

O curtailment (restrição imposta à geração) é, talvez, o mais perigoso para projetos que dependem de contratos de longo prazo (PPAs). O complexo Morro Preto, com 40 usinas planejadas, estava em uma região com histórico de restrições operacionais na rede de transmissão. Quando o Operador Nacional do Sistema (ONS) obriga a usina a parar, o gerador perde receita, mas os custos fixos continuam.

Este corte forçado de geração compromete severamente o revenue stream esperado, inviabilizando o pagamento das dívidas. O risco de curtailment não previsto no business plan inicial transforma um ativo promissor em um passivo caro.

O Custo do Capital: Juros Estrangulam a Expansão

A segunda faca no pescoço da Solatio foi a alta dos juros. Projetos de infraestrutura, como parques solares de grande porte, são intensivos em capital e altamente dependentes de financiamento de longo prazo. O ciclo de desenvolvimento exige anos de aportes antes da primeira receita.

Com a taxa Selic elevada, o custo da dívida explode. As projeções de Internal Rate of Return (IRR) calculadas sob premissas de juros mais baixos simplesmente evaporam. O custo de capital torna a estrutura de dívida insustentável, especialmente quando confrontada com a incerteza do curtailment.

O setor, que historicamente se beneficiou de um ambiente de crédito relativamente acessível, agora sente o aperto monetário com toda a sua força.

O Adeus aos Ganhos Fiscais: A Erosão dos Incentivos

O terceiro elemento é o fim de incentivos e mudanças regulatórias que impactam a atratividade fiscal e tarifária. Embora a notícia focada na Solatio trate mais de geração centralizada, a discussão sobre a Taxação do Sol e as alterações nas regras da Geração Distribuída (GD) criam um ambiente de insegurança geral.

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No contexto de Morro Preto, a inviabilidade está ligada ao custo de conexão e à garantia de escoamento da energia. A percepção de que o ambiente regulatório pode se tornar mais oneroso ou menos previsível no futuro acelera a decisão de desistir de projetos antes que mais capital seja alocado.

A combinação destes fatores força players robustos, como a Solatio, a fazerem escolhas dolorosas, mas economicamente racionais, como a revogação de 2 GW.

Lições para o Setor: O Preço da Incerteza

Para os profissionais de trading e asset management, o episódio Solatio é um estudo de caso sobre a precificação do risco no mercado de energia limpa. O mercado não perdoa a assimetria entre risco assumido e retorno garantido.

A notícia sugere que, mesmo com a expansão vertiginosa da capacidade instalada — que já ultrapassa 60 GW (segundo dados da ABSOLAR) —, a infraestrutura de transmissão e a estabilidade regulatória não acompanharam o ritmo da expansão da geração.

A revogação de 2 GW é um recado claro: a expansão solar não é um mar de rosas infinito. Ela exige soluções urgentes para o gargalo de transmissão que gera o curtailment e um compromisso regulatório firme para estabilizar as condições financeiras, especialmente em um cenário de juros altos. A migração para novas fontes, embora necessária, precisa de um arcabouço de mercado que absorva os choques de forma estrutural, e não apenas através da desistência de investimentos multimilionários.

Visão Geral

A decisão da Solatio de solicitar a revogação de 2 GW em outorgas, motivada pela combinação de curtailment, alta de juros e fim de incentivos, expõe fragilidades estruturais no planejamento de infraestrutura de transmissão e na previsibilidade regulatória do setor de energia solar no Brasil.

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