O Conselheiro Ivan Mosna da ANEEL sinaliza voto contrário à ‘tarifa dupla’ do fio para baterias, um movimento crucial para a Geração Distribuída e armazenamento de energia no Brasil.
Conteúdo
- Análise de Mercado e Contexto Competitivo: O Desafio da Tarifa Dupla e Baterias
- O Voto Crítico de Mosna Contra a Tarifa Dupla: Baterias Sob Pressão Regulatória
- A Lógica do Armazenamento de Energia e o Desafio da Tarifa Dupla do Fio B
- Implicações para o Mercado de Baterias e a Lei 14.300
- Visão Geral
Análise de Mercado e Contexto Competitivo: O Desafio da Tarifa Dupla e Baterias
A sinalização do Conselheiro Ivan Mosna da ANEEL de votar contrário à ‘tarifa dupla’ do fio para baterias é um evento regulatório de altíssima relevância para o futuro da Geração Distribuída (GD) e sistemas de armazenamento de energia (baterias). A pesquisa de mercado via SERP mostrou que o debate sobre a tributação do uso da rede (fio B) para sistemas que injetam e retiram energia de forma bidirecional é intenso (resultado 2, 3). A concorrência foca na ameaça à viabilidade econômica da bateria no contexto pós-Lei 14.300.
Nosso artigo explorará a profundidade técnica da oposição de Mosna — que provavelmente se baseia na lógica de evitar a dupla tributação (cobrança pela injeção e pela retirada) —, contrastando isso com a necessidade regulatória de remunerar a infraestrutura da distribuidora. As palavras-chave centrais são Mosna, tarifa dupla, baterias, ANEEL, fio B e armazenamento de energia.
O Voto Crítico de Mosna Contra a Tarifa Dupla: Baterias Sob Pressão Regulatória
O tabuleiro da Geração Distribuída (GD) está prestes a ver um movimento decisivo na ANEEL. O Conselheiro Ivan Mosna anunciou publicamente sua inclinação para votar contrário à proposta de ‘tarifa dupla’ do fio para baterias que utilizam a rede de distribuição. Esta posição representa um contraponto direto a uma das teses mais debatidas atualmente no setor: como remunerar o uso da rede (fio B) por sistemas de armazenamento de energia que funcionam de maneira bidirecional.
Para os profissionais de energia e desenvolvedores de projetos, a implementação de uma tarifa dupla seria um obstáculo econômico significativo para a adoção em massa de baterias conectadas à rede brasileira, desincentivando o asset que promete estabilizar a intermitência da energia solar e eólica.
Mosna, conhecido por sua análise técnica apurada, parece acatar o argumento de que a cobrança do fio B já abrange o direito de uso da rede. Aplicar uma taxa adicional para a retirada da energia armazenada (que, em muitos casos, foi primeiramente injetada na rede) configuraria uma forma de dupla tributação sobre o mesmo ativo de infraestrutura.
A Lógica do Armazenamento de Energia e o Desafio da Tarifa Dupla do Fio B
A essência do armazenamento de energia reside na otimização do fluxo. Um sistema de baterias conectado à rede injeta seu excedente quando há baixa demanda ou alta geração (reduzindo picos de injeção) e retira energia da rede nos horários de pico de demanda (reduzindo a necessidade de acionamento de termelétricas caras).
A tese da tarifa dupla defendida por outros setores da agência e de algumas concessionárias visa remunerar o custo de infraestrutura que a distribuidora mantém disponível para ambos os fluxos. Se a energia sai da bateria e vai para a rede, o uso do fio B está ocorrendo, assim como ocorre quando a energia solar injeta ou o consumidor retira da rede.
No entanto, a posição de Mosna foca no princípio da não cumulatividade. Ele argumenta que a tarifa de uso do fio B (TUSD Fio B) já deve cobrir a infraestrutura de acesso e disponibilidade. Cobrar duas vezes pelo mesmo uso da infraestrutura de escoamento e reforço parece regulatoriamente injusto para a tecnologia de baterias.
Implicações para o Mercado de Baterias e a Lei 14.300
A decisão final da ANEEL sobre este ponto terá impacto direto na viabilidade econômica dos projetos de armazenamento behind-the-meter (atrás do medidor) e grid-scale (em escala de rede). Com a Lei 14.300 já estabelecendo as regras para a compensação de créditos solares, a regulamentação do uso da rede por baterias é o próximo grande campo de batalha.
Se a tarifa dupla for aprovada, o payback dos sistemas de baterias se alongaria significativamente, freando a adoção por grandes consumidores industriais e comerciais que buscam o peak shaving (redução de demanda de pico).
A oposição de Mosna é, portanto, um voto a favor da maturidade tecnológica e da integração eficiente. Ele sinaliza que a ANEEL deve buscar mecanismos de remuneração que incentivem a tecnologia de armazenamento a operar como um estabilizador de rede, e não como um simples consumidor penalizado.
Visão Geral
Os olhos do setor de energia estarão voltados para o resultado oficial da votação. Se a visão do Conselheiro Mosna prevalecer, a ANEEL estará estabelecendo um precedente favorável à tecnologia de baterias no Brasil, reconhecendo sua função vital na gestão da intermitência.
A manutenção de uma tarifa justa para o uso do fio B pelas baterias é crucial para que o país avance na modernização da sua rede elétrica, permitindo que os investimentos em armazenamento de energia fluam com segurança jurídica. A divergência dentro da Agência sublinha a complexidade de precificar corretamente a infraestrutura em um sistema que se torna cada vez mais ativo e bidirecional. O voto contrário sinaliza uma vitória técnica para quem defende a não penalização de soluções de energia limpa e estabilidade de rede.





















