MME Inicia Consulta Pública para Regulamentação do Combustível de Aviação Sustentável (SAF) no Brasil

MME Inicia Consulta Pública para Regulamentação do Combustível de Aviação Sustentável (SAF) no Brasil
MME Inicia Consulta Pública para Regulamentação do Combustível de Aviação Sustentável (SAF) no Brasil - Foto: Reprodução / Freepik
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Abertura de Consulta Pública pelo MME define bases para o futuro do SAF, impulsionando a descarbonização da aviação e impactando a dinâmica de biocombustíveis e biomassa no setor elétrico.

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O Setor Elétrico brasileiro acompanha de perto a nova fronteira da descarbonização: a aviação sustentável. O MME (Ministério de Minas e Energia) deu um passo decisivo ao abrir a Consulta Pública nº 161/2024, visando a regulamentação da política de SAF (Sustainable Aviation Fuel) no país. Trata-se de um movimento estratégico que estabelece as bases para o futuro do querosene de aviação e reposiciona o Brasil na Transição Energética global.

Para os profissionais que lidam com matriz energética, essa política não impacta apenas aeroportos e aeronaves. Ela cria uma nova e poderosa demanda por biocombustíveis e biomassa. O SAF exige volume, e a produção em escala pode gerar concorrência direta pelos *feedstocks* já utilizados em cogeração de energia e na produção de biogás, mudando a dinâmica de suprimento e preço desses insumos no mercado nacional.

O Alicerce da Regulamentação do SAF

A principal meta da Consulta Pública é definir o arcabouço legal e técnico para a produção, comercialização e uso do SAF no Brasil. O ponto nevrálgico da proposta é o estabelecimento de um mandato compulsório de mistura, ou *blending*, do combustível sustentável ao querosene fóssil. Este mandato é a garantia de demanda que o mercado de biocombustíveis precisa para atrair os investimentos bilionários necessários.

O MME busca contribuições da sociedade e, principalmente, do Setor Elétrico e do agronegócio, para calibrar as curvas de crescimento do mandato. A ideia é começar com percentuais modestos, mas com um horizonte claro de progressão. A previsibilidade regulatória é o fator chave para desbloquear o capital de risco e permitir que as usinas se adaptem à produção de novos tipos de biocombustíveis de alto valor agregado.

SAF e a Disputa pela Biomassa com o Setor Elétrico

A conexão entre a política de SAF e o Setor Elétrico é intrínseca à biomassa. Hoje, o bagaço da cana-de-açúcar é vital para a cogeração, fornecendo estabilidade e energia limpa à rede durante a safra. Se grandes volumes de cana forem redirecionados para a produção de SAF (via rotas como *Alcohol-to-Jet*), isso pode tensionar o suprimento de biomassa para as termelétricas a biomassa e, consequentemente, afetar a competitividade da geração elétrica sucroenergética.

A regulamentação precisa balancear essa demanda. O setor de bioeletricidade teme que a alta rentabilidade do SAF desvie matérias-primas essenciais. Por isso, a Consulta Pública é uma oportunidade para que as geradoras de energia limpa apresentem seus *inputs* sobre como garantir que a expansão do SAF ocorra sem desestabilizar a oferta de biocombustíveis ou biomassa para a rede elétrica nacional.

As Rotas Tecnológicas e os Investimentos no SAF

O Brasil possui vantagens competitivas claras em diversas rotas tecnológicas para a produção de SAF. A rota HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), baseada em óleos vegetais (soja, milho, macaúba) é promissora e já utilizada em escala global. No entanto, a rota *Alcohol-to-Jet* (ATJ), que utiliza o etanol brasileiro, é vista como o grande diferencial competitivo do país devido à escala da nossa produção sucroenergética.

Transformar usinas de etanol em produtoras de SAF exige investimentos significativos em novas plantas de processamento e licenciamento. A segurança jurídica provida pela regulamentação do MME é o sinal verde para esses aportes. Estima-se que os investimentos na cadeia de produção de SAF no Brasil possam ultrapassar a casa dos R$ 50 bilhões na próxima década, criando uma nova indústria de base tecnológica.

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Transição Energética e Credibilidade Global com SAF

A Consulta Pública do MME alinha o Brasil às metas globais de descarbonização da aviação sustentável. A IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) estabeleceu a neutralidade de carbono até 2050, e o SAF é responsável pela maior parte dessa redução. Ao criar um mercado interno robusto, o Brasil fortalece sua credibilidade como *player* verde.

Além disso, o preço do carbono na Europa e nos EUA torna o SAF uma *commodity* essencial para companhias aéreas que operam rotas internacionais. A regulamentação brasileira permite que o país não apenas consuma, mas se torne um dos maiores exportadores de biocombustíveis avançados, consolidando nossa posição na Transição Energética.

O Modelo de Financiamento e Incentivos

Um dos pontos cruciais da Consulta Pública é discutir os mecanismos de financiamento e incentivos fiscais. O SAF é, hoje, significativamente mais caro que o querosene fóssil. Para viabilizar a aviação sustentável, são necessários instrumentos que compensem essa diferença inicial de custo e estimulem a inovação.

O MME considera a inclusão do SAF no *framework* do RenovaBio, permitindo que os produtores gerem CBIOs (créditos de descarbonização) adicionais. Essa sinergia regulatória é vital, pois conecta a nova política de biocombustíveis ao mercado de carbono já existente, oferecendo uma nova fonte de receita e tornando os projetos de SAF economicamente mais sustentáveis no longo prazo.

A Urgência da Participação do Setor Elétrico

Para o profissional do Setor Elétrico, ignorar a Consulta Pública do MME seria um erro estratégico. A política de SAF redefine a competição por biomassa e biocombustíveis, e pode levar a uma reconfiguração da matriz de geração distribuída e da cogeração industrial. É o momento de apresentar *insights* sobre a garantia do suprimento elétrico e a otimização do uso dos recursos de energia limpa.

As contribuições enviadas ao MME devem focar em soluções que permitam o crescimento da aviação sustentável sem comprometer a estabilidade e o preço da energia elétrica no país. A regulamentação final será um balanço delicado entre as metas de descarbonização aérea e a segurança energética terrestre.

Visão Geral

Em suma, a abertura da Consulta Pública para a regulamentação do SAF pelo MME é um divisor de águas. Ela transforma o Brasil de um espectador em um protagonista da aviação sustentável. O Setor Elétrico precisa engajar-se ativamente nesse processo, garantindo que o avanço dos biocombustíveis de SAF complemente, e não comprometa, a oferta de energia limpa e estável. A política é a chave para atrair os investimentos necessários e posicionar o país na vanguarda da Transição Energética global.

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