IPCA 2025 Abaixo da Meta: A Armadilha da Energia Elétrica no Controle Inflacionário

IPCA 2025 Abaixo da Meta: A Armadilha da Energia Elétrica no Controle Inflacionário
IPCA 2025 Abaixo da Meta: A Armadilha da Energia Elétrica no Controle Inflacionário - Foto: Reprodução / Freepik
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O fechamento do IPCA em 2025 com 4,26% revela uma inflação nacional abaixo da meta, mas o custo da energia elétrica persiste como vetor de alta setorial.

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O Setor Elétrico: O Motor da Alta Persistente

O peso da energia elétrica no índice geral, como detalhado em reportagens do O Globo e da ISTOÉ DINHEIRO, é desproporcional ao seu peso na cesta de consumo. O item energia elétrica residencial, com aumentos acumulados que ultrapassam os 11% em alguns subitens, é o principal responsável por ancorar a inflação acima do centro da meta, apesar dos esforços em outros setores.

Para o profissional de Geração Limpa, este cenário aponta para desafios duplos: primeiro, a dificuldade em repassar ao consumidor o custo da expansão das renováveis sem agravar a percepção de alta; segundo, a pressão sobre o custo da energia de referência (SIN), que influencia contratos post-fixed.

Fatores Estruturais da Pressão Inflacionária

A liderança da energia elétrica nas pressões inflacionárias em 2025 está intrinsecamente ligada a fatores específicos do setor. Entre eles, destacam-se:

  1. Volatilidade Hídrica e Termelétricas: Mesmo com a matriz cada vez mais limpa, períodos de baixa pluviosidade forçam o acionamento de usinas termelétricas de custo marginal mais alto, cujos custos são repassados via bandeiras tarifárias ou ajustes no Custo de Escassez Hídrica (CEH).
  2. Custos de Transmissão: Os investimentos em linhas de transmissão, vitais para escoar a energia renovável do Nordeste (como a Interligação Nordeste–Sudeste), têm seus custos adicionados à tarifa final, impactando o preço final ao consumidor.
  3. Encargos Setoriais: A manutenção de programas governamentais e subsídios, embora socialmente necessários, adiciona parcelas não-energéticas significativas à fatura, pesando sobre o IPCA.

A Meta do CMN: Conquista Superficial

O fato de o IPCA ter fechado em 4,26%, abaixo do teto da meta de 4,50% (conforme projeção do Banco Central mencionada pelo UOL), é tecnicamente positivo para a credibilidade da política monetária. Contudo, para o setor de energia, isso sugere que a política monetária conseguiu conter a inflação de bens comercializáveis, mas falhou em isolar o componente inercial e estrutural da energia elétrica.

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A performance do índice mostra que a missão de manter a inflação na trajetória esperada dependerá cada vez mais da previsibilidade regulatória do setor elétrico, e não apenas das taxas de juros.

Perspectivas: A Dependência da Geração Limpa

Para os players de energia limpa e renovável, a alta persistente da tarifa geral gera um dilema. Embora projetos eólicos e solares tenham LCOE (Custo Nivelado de Energia) muito baixos, a inflação no componente de encargos e Fio B (uso da rede) impede que esse benefício chegue integralmente ao consumidor.

A expectativa é que, com a maior inserção de energia renovável de baixo custo nos próximos anos, a inércia inflacionária do setor se atenue. No entanto, para 2026, a preocupação reside na persistência dos fatores climáticos e na eficácia dos mecanismos de mitigação de custo implementados pela ANEEL. A energia elétrica segue, portanto, como o principal vetor de risco inflacionário a ser monitorado pelo mercado financeiro e pelos reguladores.

Visão Geral

O IPCA 2025 atingiu 4,26%, ficando abaixo do teto da meta, o que é um indicativo de sucesso da política monetária geral. Contudo, a análise setorial revela que a energia elétrica é o principal motor das pressões inflacionárias, devido a fatores estruturais como a dependência de usinas termelétricas em períodos de seca e os custos de transmissão. A sustentabilidade do controle inflacionário no futuro, especialmente em 2026, dependerá da capacidade de absorver os benefícios da energia limpa e da estabilidade regulatória do setor elétrico.

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