Executivos discutiram as variáveis para a posição do Brasil no jogo da geopolítica atual, analisando impactos nos setores de crédito e transição energética em meio a conflitos globais.
O cenário geopolítica global, marcado por conflitos no Oriente Médio e pela reconfiguração das cadeias energéticas, esteve no centro das discussões de painel realizado no Fórum Brasileiro de Líderes em Energia – Energia Elétrica. O debate reuniu Eduardo Sattamini, CEO da Engie Brasil, Ivan Monteiro, CEO da Axia Energia, Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, com mediação de Luiz Augusto Barroso, presidente da PSR. O Fórum faz parte da Latam Energy Week, realizado pela Dominium Produções, no Rio de Janeiro.
Logo na abertura, Barroso destacou a complexidade do momento vivido pelo setor energético global, comparando a crise atual a choques históricos.
“Hoje, os cortes efetivos de oferta de energia superam os das crises do petróleo de 1973 e 1979 e até os impactos iniciais da invasão da Ucrânia em 2022”
Segundo ele, o fechamento do Estreito de Ormuz pressiona diretamente cerca de 20% do tráfego global de petróleo e até 25% do GNL, com efeitos ainda em maturação sobre mercados e cadeias produtivas.
Gestão de risco em tempos de incerteza
Para Ivan Monteiro, a palavra-chave do momento é risco. Com experiência no setor financeiro e à frente de uma empresa intensiva em capital, o executivo ressaltou a importância de estratégias robustas de planejamento.
“Vivemos em um ambiente extremamente volátil, com duas guerras simultâneas envolvendo países centrais na cadeia de combustíveis fósseis. Isso exige uma aversão a risco maior nos modelos de preço e de investimento”
Monteiro também fez um paralelo com sua passagem pelo sistema bancário internacional. Segundo ele, a Axia ampliou seu plano de investimentos com diversificação de fontes de financiamento e fornecedores, tratando o monitoramento operacional como questão de sobrevivência.
Brasil como vantagem comparativa
Eduardo Sattamini chamou atenção para a posição estratégica do Brasil.
“Somos um país extremamente privilegiado. Cerca de 90% da nossa geração de energia vem de fontes renováveis”
Para ele, a crise global abre uma janela de oportunidade para acelerar a transição energética e reduzir a dependência de combustíveis importados.
“O combustível do futuro é a eletricidade. Transformar elétrons em mobilidade, seja urbana ou de carga, é uma resposta estrutural para reduzir vulnerabilidades”
Sattamini alertou, no entanto, para desafios operacionais: a expansão sem planejamento de fontes intermitentes exige investimentos urgentes em armazenamento e sinalização adequada de preços.
Crédito caro, regulação e ambiente de negócios
O economista Roberto Padovani trouxe os impactos macroeconômicos do crédito. Segundo ele, o risco global travou o mercado de capitais. O Brasil, embora resiliente por ser exportador de petróleo, paga um preço elevado. Sobre política monetária, reforçou que os juros reais no Brasil são excessivamente elevados. No encerramento, o foco voltou‑se à regulação.
Sattamini criticou o excesso de subsídios que distorce sinais econômicos, enquanto Monteiro defendeu que, para competir globalmente, o país precisa avançar na segurança jurídica. Padovani concluiu que o Brasil deve esperar avanços graduais em reformas, mantendo um otimismo cauteloso diante do atual cenário.




















