Conteúdo
- A Dor do Desfalque: O Custo Real do Furto
- Adaptação Tática: A Estratégia do “Menor Atrativo”
- A Inação Contra o Mercado Negro
- O Preço da Insegurança na Tarifa Futura
- Visão Geral
A Dor do Desfalque: O Custo Real do Furto
O furto de cabos, majoritariamente de cobre, não representa apenas a perda física do material; ele causa interrupções no fornecimento, sobrecarrega equipes de manutenção e exige realocações de capital que deveriam ser destinadas à modernização, como a expansão da rede subterrânea ou a implementação de smart grids.
O furto na rede do Rio que motivou a ação da Light sublinha a urgência. O cobre, metal de alto valor de revenda, é o alvo predileto. Ao optar por cabos com ligas de alumínio ou misturas de menor apelo no mercado ilegal, a empresa tenta desincentivar a ação criminosa nos trechos críticos de sua infraestrutura.
Adaptação Tática: A Estratégia do “Menor Atrativo”
A declaração de utilizar cabos de ‘menor valor no mercado ilegal’ é uma admissão tática de que a segurança física da rede é insustentável com os materiais tradicionais. A intenção é clara: tornar o retorno do crime menor do que o risco de ser pego.
No entanto, essa estratégia levanta questões técnicas importantes para engenheiros de transmissão e distribuição. Substituir cobre por alumínio, ou por ligas com menor teor do metal nobre, implica em mudanças nas especificações técnicas:
- Capacidade de Condução: O alumínio geralmente exige seções transversais maiores para transportar a mesma corrente que o cobre, o que pode ser um desafio em galerias subterrâneas ou em trechos com restrições de espaço.
- Durabilidade e Perdas: A longevidade e a resistência à corrosão podem ser afetadas, impactando a vida útil do investimento e potencialmente aumentando as perdas técnicas no longo prazo.
Para a Light, o cálculo parece ser: é preferível ter um cabo ligeiramente menos eficiente, mas que não seja roubado, do que um cabo de cobre de alta performance que precisa ser reposto a cada poucos meses.
A Inação Contra o Mercado Negro
Esta resposta da concessionária lança uma sombra sobre a eficácia das ações de combate ao mercado ilegal de metais. Profissionais do setor de compliance e segurança energética questionam por que o foco está na adaptação do material, e não na repressão às ferros-velhos e fundições que compram material roubado.
O furto na rede é um crime que afeta diretamente a confiabilidade do serviço. Para a sustentabilidade do setor, é imperativo que os órgãos de segurança pública e reguladores trabalhem em conjunto com a distribuidora para fechar as vias de escoamento, e não apenas para adaptar a infraestrutura ao nível de risco imposto pelo crime.
O Preço da Insegurança na Tarifa Futura
Mesmo que o novo material seja marginalmente mais barato inicialmente, os custos operacionais gerados pela substituição constante e pela gestão de redes com especificações técnicas heterogêneas acabam sendo absorvidos. Eventualmente, esses custos são repassados à tarifa do consumidor via Reajustes Tarifários Anuais (RTAs) ou como Encargos Setoriais por perdas não mitigadas.
A Light precisa demonstrar que esta adaptação é temporária e que haverá investimentos paralelos em monitoramento ativo (como fibra óptica e sensores) e segurança pública para reverter a situação ao padrão de cobre de alta qualidade.
A estratégia de usar cabos menos visados pelo mercado negro é um reflexo amargo da realidade brasileira: a infraestrutura vital precisa ser desenhada não apenas para a demanda energética, mas também para desestimular o crime. Enquanto isso não muda, a resiliência da rede do Rio continuará sendo determinada pela cotação do cobre no submundo.
Visão Geral
A adoção de cabos de ‘menor valor no mercado ilegal’ pela Light no Rio de Janeiro ilustra uma tática de mitigação de risco forçada pela alta incidência de furto na rede. Embora vise desincentivar o crime, a medida levanta preocupações técnicas sobre a capacidade de condução e durabilidade, além de desviar o foco da repressão ao mercado ilegal de metais. Os custos operacionais e a potencial heterogeneidade da rede podem, em última instância, impactar a tarifa final do consumidor.























