A dependência de termelétricas a gás e carvão no Brasil compromete o avanço rumo ao net zero, exigindo um equilíbrio delicado entre segurança energética e descarbonização.
Conteúdo
- A Termelétrica Como Salva-Vidas (e Vilã Climática)
- Carvão: O Ponto de Atrito Ambiental
- Gás Natural: O Desafio da Transição
- A Inflexão Necessária: Preços e Sustentabilidade
- Visão Geral
Fósseis em Ascensão Desafiam Metas Climáticas: Expansão de Gás e Carvão Aumenta Emissões
A matriz energética brasileira, reconhecida globalmente por sua vocação hidrelétrica e crescente mix de fontes renováveis, enfrenta uma contradição preocupante: o aumento do uso de gás e carvão na matriz elétrica está diretamente elevando os índices de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) do setor. Para os players focados em sustentabilidade e net zero, este é o dilema central da segurança energética atual.
A análise dos dados recentes, reforçada por estudos do setor, indica que a dependência termelétrica, especialmente em períodos de crise hídrica ou baixa geração eólica/solar, está sendo suprida majoritariamente por fontes que liberam dióxido de carbono e outros poluentes na combustão. O cenário aponta para um recuo tático, ainda que temporário, na agenda de descarbonização.
A Termelétrica Como Salva-Vidas (e Vilã Climática)
O uso de fontes fósseis no Brasil, particularmente o gás natural e, em menor escala, o carvão mineral, é fundamental para a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN). Quando os reservatórios estão baixos, como visto em anos anteriores, a geração a gás se torna a primeira linha de defesa contra apagões, oferecendo despacho rápido e previsibilidade.
Contudo, cada megawatt-hora gerado por essas fontes traz um custo ambiental implícito. O gás natural, embora menos poluente que o carvão ou o óleo diesel (liberando cerca de metade do CO2 por MWh), ainda é um combustível fóssil. O carvão, concentrado majoritariamente no Sul do país, carrega o maior fardo emissor do setor elétrico.
Segundo insights de mercado, o aumento do uso de gás e carvão na matriz elétrica reflete a estratégia de diversificação e resiliência, mas expõe a vulnerabilidade da dependência hídrica. Profissionais de planejamento energético veem o gás como um “combustível de transição” necessário, mas sua expansão acelerada levanta questionamentos sobre o cronograma de phase-out.
Carvão: O Ponto de Atrito Ambiental
O carvão mineral, apesar de ter uma fatia menor na capacidade total instalada, é o grande vilão nas emissões diretas de CO2. Sua queima em usinas termelétricas gera emissões significativas de dióxido de carbono, óxidos de nitrogênio e enxofre.
Em momentos de alta demanda energética e restrição hídrica, essas usinas são acionadas, elevando o fator de emissão da matriz. Esse movimento contradiz diretamente os compromissos de neutralidade de carbono que o Brasil se propõe a cumprir em fóruns internacionais. A expansão do parque termelétrico a carvão, mesmo que vista como estratégica por alguns estados, é constantemente criticada por analistas de sustentabilidade e por investidores ESG.
Gás Natural: O Desafio da Transição
O gás natural é o ator de maior crescimento entre os fósseis. A expansão da produção do pré-sal e a abertura do mercado, facilitada pelo Novo Mercado de Gás, prometem mais oferta. Esse aumento de supply é essencial para modular a intermitência das energias solar e eólica.
O setor de energia limpa depende dessa estabilidade que o gás oferece. O desafio reside em garantir que esse gás seja usado estritamente para backup ou para atender picos de demanda, e não para competir em market clearing com fontes de custo marginal zero (solar e eólica). A otimização do despacho das termelétricas a gás é crucial para minimizar o impacto nas emissões.
A Inflexão Necessária: Preços e Sustentabilidade
Para o mercado de energia, o crescimento das fontes fósseis implica em custos ambientais que se tornam custos operacionais, seja por meio de impostos sobre carbono futuros ou pela reputação corporativa. O aumento do uso de gás e carvão na matriz elétrica força o setor a recalcular o breakeven da transição.
Especialistas apontam que o caminho para mitigar essas emissões passa por investimentos agressivos em duas frentes: o aumento da flexibilidade das renováveis (baterias de longa duração) e o desenvolvimento do biogás e hidrogênio verde como substitutos diretos para o gás fóssil em termelétricas já existentes.
A realidade é dura: a busca por segurança energética no curto prazo está temporariamente sobrepondo a urgência climática. O setor precisa de insights claros sobre a projeção de chuvas e a aceleração da infraestrutura renovável para que o gás e o carvão voltem a ser meros estabilizadores de stand-by, e não motores da matriz e das emissões.
Visão Geral
O Brasil enfrenta o dilema de aumentar o uso de gás e carvão, fontes fósseis, para garantir segurança no fornecimento elétrico, impactando negativamente os esforços de net zero e aumentando as emissões de dióxido de carbono, apesar da expansão da matriz renovável.






















