Enel sugere manejo agressivo de árvores grandes para mitigar interrupções na rede elétrica de São Paulo.
Conteúdo
- Visão Geral da Proposta da Enel
- O Custo da Intermitência: Vegetação como Fator de Risco para a Distribuição
- A Tensão Regulatório-Ambiental na Gestão de Árvores
- Investimento em Tecnologia de Mitigação e Gestão de Risco
- O Futuro da Manutenção da Rede Elétrica no Brasil
O Custo da Intermitência: Vegetação como Fator de Risco para a Distribuição
As interrupções causadas pela queda de galhos ou árvores durante chuvas e ventanias são a dor de cabeça número um das concessionárias. A Enel, ao abordar a necessidade de “trocar árvores grandes”, está enfatizando que podas preventivas tradicionais não são suficientes contra árvores com maior massa e maior risco de tombamento.
A empresa busca legitimar um plano de intervenção mais drástica na vegetação adjacente às suas redes de distribuição. O objetivo é claro: reduzir drasticamente o System Average Interruption Duration Index (SAIDI) e o System Average Interruption Frequency Index (SAIFI), métricas cruciais de qualidade do serviço reguladas pela ANEEL.
A Tensão Regulatório-Ambiental na Gestão de Árvores
A proposta da Enel gera, inevitavelmente, uma tensão com órgãos ambientais e com a própria Arsesp (Agência Reguladora). Embora a segurança do fornecimento de energia seja uma prioridade, a remoção de vegetação nativa ou de grande porte em áreas urbanas é frequentemente barrada por legislações ambientais.
A concessionária terá que justificar tecnicamente o porquê da troca ou remoção ser a única alternativa viável, e não apenas uma poda mais intensa. Isso exige um mapeamento detalhado que correlacione a localização de árvores específicas com o histórico de falhas da rede elétrica naquelas seções. O foco deve estar na substituição por espécies de porte menor ou que apresentem menor risco de queda.
Investimento em Tecnologia de Mitigação e Gestão de Risco
A modernização da rede, como a instalação de self-healing e o aumento da cobertura de undergrounding (subterrâneo), são soluções caras e de longo prazo. A sugestão de lidar com as “árvores grandes” sugere uma tática de gestão de risco de curto e médio prazo mais agressiva, buscando resultados rápidos na confiabilidade da distribuição.
Para o setor, a Enel está colocando o debate sobre a mesa: o custo da energia interrompida — em termos econômicos e de insatisfação do consumidor — pode justificar intervenções mais severas na paisagem urbana para garantir a continuidade do fornecimento elétrico.
O Futuro da Manutenção da Rede Elétrica no Brasil
Se a Enel conseguir obter as licenças necessárias para implementar seu plano de manejo mais rígido, isso pode se tornar um novo padrão operacional para outras concessionárias que lutam contra os mesmos problemas climáticos no Brasil. A abordagem de “trocar” em vez de apenas “podar” sinaliza uma mudança de paradigma na manutenção da rede elétrica.
A eficácia desta estratégia será crucial para o futuro da distribuição de energia em metrópoles densas. O setor aguarda os desdobramentos regulatórios desta proposta ousada para entender como a segurança do sistema pode ser blindada contra os efeitos da natureza.
Visão Geral
Executivos da Enel propuseram a “trocar árvores grandes” como medida para combater interrupções na distribuição de energia, expondo o desafio de equilibrar segurança energética e arborização urbana para engenheiros de transmissão e distribuição.






















