O Instituto Clima e Sociedade (iCS), por meio do HUB de Economia e Clima, abriu as inscrições para o edital focado em integrar a questão climática à agenda econômica brasileira.
O Instituto Clima e Sociedade (iCS), através do HUB de Economia e Clima, lançou o edital “Clima na Economia: integrando a questão climática à agenda econômica”. Com recursos totais de R$ 2,5 milhões, a iniciativa apoiará projetos de pesquisa aplicada que gerem conhecimento prático para políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. Cada projeto selecionado poderá receber até R$ 500 mil. As propostas devem focar em quatro áreas centrais: adaptação às mudanças climáticas, macroeconomia e meio ambiente, microeconomia e clima, além de finanças públicas e mudanças climáticas, oferecendo diagnósticos robustos sobre os impactos de eventos extremos no país.
Os estudos contemplados podem abordar temas urgentes, como os impactos de eventos climáticos severos no agronegócio e na infraestrutura, propondo instrumentos econômicos eficientes para a transição climática. O objetivo central é financiar pesquisas que gerem evidências, ferramentas, modelos e recomendações diretamente aplicáveis por governos e investidores privados. Ao conectar a ciência com o mercado financeiro e a gestão pública, o edital busca fortalecer a resiliência do Brasil diante dos desafios globais, garantindo que o desenvolvimento sustentável seja pautado por dados técnicos e análises econômicas aprofundadas sobre a realidade nacional contemporânea e as necessidades de longo prazo.
Critérios de participação e instituições elegíveis
Podem se candidatar ao edital diversas instituições brasileiras de pesquisa, incluindo universidades públicas e universidades privadas sem fins lucrativos. A missão institucional das entidades candidatas deve envolver obrigatoriamente a pesquisa científica ou o desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços. Além disso, organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, que comprovem experiência sólida em pesquisa aplicada de natureza científica ou tecnológica, também são encorajadas a participar. A iniciativa busca descentralizar a produção de conhecimento, envolvendo diferentes atores que possam contribuir para a integração da agenda de mudanças climáticas no coração das decisões financeiras governamentais.
As instituições interessadas devem demonstrar capacidade técnica para entregar resultados que subsidiem tomadores de decisão em cenários complexos. O fomento à pesquisa é visto como um pilar essencial para que o país consiga atrair novos investimentos verdes e consolidar uma economia de baixo carbono. Ao apoiar universidades e ONGs, o iCS fortalece o ecossistema de inovação brasileiro, permitindo que a ciência produzida localmente tenha impacto direto na formulação de estratégias que protejam o capital natural e promovam a equidade econômica em um mundo em transformação acelerada, onde a sustentabilidade é o principal motor de crescimento.
A importância da evidência na economia climática
A integração entre clima e economia é fundamental para o futuro do país, conforme destacado pela coordenação do projeto. Sarah Irffi, coordenadora técnica do HUB de Economia e Clima do iCS, reforça a necessidade de aproximar a academia da prática governamental e empresarial para gerar resultados reais e duradouros na agenda climática brasileira.
“O debate climático já influencia decisões econômicas no Brasil e no mundo, mas ainda precisamos fortalecer a produção de evidências aplicadas que dialoguem diretamente com formuladores de políticas públicas, gestores e investidores. Este edital busca aproximar a pesquisa econômica da prática e oferecer subsídios qualificados para decisões que influenciam o desenvolvimento do país no longo prazo”
Essa visão ressalta que o conhecimento técnico é o subsídio necessário para que os investimentos públicos e privados sejam direcionados de forma eficiente. A produção de evidências qualificadas permite que o Brasil se posicione de forma estratégica no cenário geopolítico mundial, utilizando a transição climática como uma oportunidade real de crescimento. O edital atua como um catalisador para que a economia brasileira incorpore variáveis ambientais de forma definitiva, mitigando riscos e aproveitando o potencial de liderança em soluções sustentáveis que conectem os centros de pesquisa aos desafios mais urgentes do mercado global.
Processo de inscrição e cronograma
O processo de seleção será conduzido em duas etapas distintas para garantir a qualidade das propostas enviadas. A primeira fase foca na submissão inicial dos projetos e encerra-se no dia 8 de abril de 2026. Somente as propostas pré-selecionadas avançarão para a segunda etapa, que exige o envio de documentação complementar e o detalhamento técnico do projeto a partir de maio. As instituições interessadas devem acessar o site oficial do iCS para realizar a inscrição e consultar os critérios detalhados de avaliação e elegibilidade definidos pelo comitê técnico do programa.
Com o encerramento do prazo inicial se aproximando, é fundamental que as instituições organizem seus cronogramas para atender aos requisitos de pesquisa aplicada e impacto em políticas públicas. O valor total disponível de R$ 2,5 milhões representa um investimento significativo na inteligência climática do Brasil. A expectativa é que os projetos selecionados iniciem uma nova fase de diálogo entre cientistas e economistas, resultando em ferramentas que protejam a economia nacional contra riscos climáticos e promovam um modelo de desenvolvimento resiliente, inovador e alinhado aos compromissos globais de preservação ambiental assumidos pelo país internacionalmente.






















