A Projeção do PIB e o Impacto do Setor Agropecuário
A Projeção do PIB e o Impacto do Setor Agropecuário
Por Andreia Verdélio – DF
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda ajustou para baixo a estimativa de crescimento da economia nacional para o ano corrente, passando de 2,4% para **2,3%**. Essa informação foi detalhada no Boletim Macrofiscal divulgado pela **SPE** do Ministério da Fazenda nesta sexta-feira (06).
Em relação às projeções de inflação, medidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o documento prevê uma queda para **3,6% em 2026**.
Perspectivas para 2026 e a Taxa de Juros (Selic)
A SPE indica que, para 2026, espera-se a **manutenção do ritmo de crescimento** acompanhada da **continuidade do processo de desinflação**, o que permitiria uma redução nas taxas básicas de juros.
Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, conforme definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Este é o principal instrumento utilizado pelo BC para atingir a meta de inflação estabelecida em 3%.
Este patamar de 15% representa o nível mais alto da Selic desde julho de 2006 (quando atingiu 15,25% anuais). O Copom sinalizou em seu comunicado que, se a inflação permanecer sob controle e não houver imprevistos no cenário econômico, a expectativa é de que a **redução dos juros se inicie na reunião de março**.
Análise da Desaceleração Econômica
A revisão para baixo na projeção do Produto Interno Bruto (PIB) — que representa a soma das riquezas produzidas no país — está diretamente ligada à **desaceleração significativa na atividade agropecuária**. Essa queda é observada após o ciclo de safra recorde registrado em 2025. Em contrapartida, a indústria e os serviços demonstraram maior ritmo de expansão.
O boletim aponta que o “consumo doméstico tende a se acelerar”, embora este efeito seja parcialmente neutralizado pela “menor contribuição das exportações” devido a um contexto comercial global mais restritivo.
O documento também elenca os **principais riscos para o cenário de 2026**, que incluem o agravamento das tensões geopolíticas e comerciais, além da possibilidade de uma desaceleração mais acentuada na economia da China. Um recrudescimento de tensões geopolíticas, como as instabilidades políticas observadas no início do ano (citando Venezuela e os atritos entre EUA e Europa sobre a Groenlândia), pode intensificar o enfraquecimento do dólar e aumentar a volatilidade financeira internacional.
Visão Geral
O Ministério da Fazenda revisou ligeiramente para baixo a projeção do PIB de 2025, motivado principalmente pela esperada retração no setor agropecuário pós-safra recorde, sendo parcialmente compensada pelo crescimento da indústria e serviços. As projeções indicam estabilidade econômica e queda da inflação para 3,6% em 2026, abrindo caminho para o início do ciclo de queda da taxa Selic, atualmente em 15%, a partir de março, caso as condições de inflação se mantenham favoráveis.
Créditos: Misto Brasil




















