perspectivas econômicas para o próximo ano há muita expectativa promissora, mas também receios especialmente com os ajustes fiscais antes das eleições gerais
Para o próximo ano há muita expectativa promissora, mas também receios especialmente com os ajustes fiscais antes das eleições gerais
Por Misto Brasil – DF
O dólar à vista experimentou uma forte desvalorização global em 2025, influenciado pelas mudanças na política tarifária dos Estados Unidos.
A moeda americana recuou 11,18% contra o real desde janeiro, finalizando o ano cotada a R$ 5,4890. Conforme dados do InfoMoney, este representa o pior desempenho anual da divisa desde 2016.
O dólar começou o ano cotado a R$ 6,16 e perdeu força notavelmente no primeiro trimestre. De janeiro a março, a moeda norte-americana acumulou uma perda de aproximadamente 7,4%, impulsionada pelas expectativas em relação à política tarifária adotada pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em abril, Trump anunciou tarifas recíprocas de 10% sobre produtos de todos os parceiros comerciais, somadas a taxas “extras” para nações com balança comercial deficitária em relação aos EUA — com poucas exceções, como o Brasil, que foi taxado em 40% mais a alíquota ‘mundial’.
Após um período de fluxo contido e volatilidade, a bolsa brasileira voltou a atrair atenção em 2025. O Ibovespa se aproxima do fim do ano com uma valorização superior a 30%, recolocando a renda variável no foco dos investidores e reavivando discussões sobre as ações com maior potencial para o próximo ciclo.
Este desempenho é ainda mais notável diante de um cenário global caracterizado por juros elevados, incertezas geopolíticas e desafios fiscais internos. A capacidade de o mercado acionário brasileiro atrair capital, mesmo em um contexto de cautela internacional, é evidenciada por sua resiliência.
O JPMorgan destaca que a forte alta do índice não se deve apenas ao fluxo de capital estrangeiro, embora o saldo líquido de investimentos externos tenha sido positivo, atingindo cerca de R$ 20 bilhões, revertendo a saída de mais de R$ 32 bilhões registrada em 2024.
O que pode acontecer no próximo ano
Para 2026, o cenário prospectivo parece ser ainda mais favorável. A projeção é de uma redução acumulada de cerca de 3,5 pontos percentuais na taxa Selic. Historicamente, isso estimula a migração de recursos da renda fixa para o mercado de ações e melhora a avaliação (valuation) das empresas listadas.
O ouro retomou sua trajetória de alta, fechando a sessão com ganhos após uma forte queda no pregão anterior, causada pelo aumento da margem para contratos futuros anunciado pelo CME Group, segundo o InfoMoney.
O metal precioso também foi sustentado pelas incertezas geopolíticas contínuas, relacionadas a um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, além das expectativas sobre a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro com vencimento em fevereiro encerrou em alta de 0,98%, a US$ 4.386,3 por onça-troy. A prata para março, por sua vez, saltou 10,6%, atingindo US$ 77.919 por onça-troy.
O Bitcoin (BTC) encerra 2025 com um desempenho misto. Por um lado, renovou sua máxima histórica ao superar US$ 126 mil em outubro.
Por outro lado, não conseguiu manter o ritmo e deve finalizar o ano abaixo dos US$ 90 mil, registrando seu primeiro prejuízo anual desde o “inverno cripto” de 2022 (e o terceiro em uma década), frustrando previsões que chegavam a apontar preços entre US$ 180 mil e US$ 200 mil.
O ponto de inflexão foi o *flash crash* ocorrido em 10 de outubro. Em poucos minutos, o Bitcoin despencou cerca de 10%, gerando mais de US$ 19 bilhões em liquidações em 24 horas e eliminando aproximadamente US$ 500 bilhões da capitalização total do mercado cripto, o que abriu caminho para uma correção mais longa.
A partir desse evento, a criptomoeda passou a ser negociada com mais de 30% de desvalorização em relação ao pico registrado apenas seis dias antes. Essa queda interrompeu um ano que começou sob grande otimismo e colocou em xeque diversas projeções feitas ao longo de 2025, desde as mais conservadoras até as mais ambiciosas.
A dinâmica de 2025 deve se repetir em parte em 2026: atividade econômica mais fraca, inflação em desaceleração e uma perspectiva de taxas de juros mais baixas globalmente, inclusive no Brasil. A mudança principal será a turbulência do ano eleitoral. A combinação de Selic em queda com a proximidade das eleições cria um ambiente onde oportunidades e riscos coexistem, e a prudência será a diretriz principal, questiona a equipe do InvestNews.
Analisando o cenário econômico, o BTG prevê uma perda de ritmo na atividade: após crescer 2,2% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar cerca de 1,7% em 2026.
Essa desaceleração reflete os efeitos defasados de uma política monetária que se manteve bastante restritiva por um longo período.
O lado fiscal na dúvida
O principal desafio reside na agenda fiscal do governo. Embora a queda dos juros ofereça certo alívio, a política fiscal se mantém como o maior ponto de fragilidade do Brasil e para os mercados.
A relação entre a dívida governamental e o PIB permanece elevada, próxima de 80%, e o déficit nominal continua sob pressão devido ao custo das despesas com juros. Em outras palavras, o governo está gastando muito em proporção à riqueza gerada pela economia.
Ao mesmo tempo, juros altos encarecem a dívida do governo — e os juros estão altos justamente para controlar a inflação, que aumenta com o alto nível de gastos públicos. Um fator retroalimenta o outro.
Nesta área, os avanços são limitados.
O relatório do BTG avalia que não há vontade política para um ajuste fiscal significativo antes das eleições, o que torna qualquer perspectiva clara em 2026 improvável. A trajetória das contas públicas se tornou um risco estrutural, com potencial para restringir a queda das taxas de juros de longo prazo e aumentar a vulnerabilidade do mercado a choques políticos.
Visão Geral
O ano de 2025 foi marcado pela forte desvalorização do dólar frente ao real, atingindo R$ 5,4890, em contraste com uma valorização expressiva do Ibovespa (mais de 30%), apesar do cenário global de juros altos. O otimismo inicial do Bitcoin foi revertido após um *flash crash* em outubro, terminando o ano abaixo das expectativas. Para 2026, projeta-se um cenário econômico com queda da Selic, favorável à bolsa, mas a expectativa de ajustes fiscais pré-eleições gera receio, tornando a cautela a palavra-chave para o próximo ciclo.
Créditos: Misto Brasil






















