financeira tradicional e obsoleta
Para bancos e fintechs, a oportunidade não é apenas “ganhar novos CPFs”, mas substituir, com rapidez, uma infraestrutura
Por Misto Brasil – DF
A liquidação extrajudicial do Will Bank resultou no abandono de aproximadamente **12 milhões de clientes**, que perderam acesso imediato a serviços bancários essenciais como transferências, cartão e Pix.
O aspecto mais crítico dessa situação é que a base de clientes do Will Bank era composta majoritariamente por pessoas das **classes C, D e E**, muitas das quais estavam tendo sua primeira experiência de bancarização através desta instituição, diferentemente dos investidores do Banco Master (seu controlador).
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Este evento desencadeia uma **disputa comercial inédita no mercado**.
Para as instituições financeiras e fintechs, a meta principal não é apenas **”adquirir novos clientes” (CPFs)**, mas sim substituir rapidamente toda a infraestrutura que o Will Bank fornecia: serviços de conta para recebimentos e pagamentos, meios de pagamento e, crucialmente, acesso a crédito para quem dependia de limites e parcelamentos.
Especialistas indicam que as instituições que conseguirem oferecer **continuidade dos serviços**, com processos de adesão simples e comunicação transparente, têm grande potencial para atrair uma parcela significativa dessa massa de “clientes órfãos”.
Oportunidade na Aquisição e Gestão de Dados
Gustavo Cruz, CEO da Mintech (empresa de tecnologia focada em dados financeiros), aponta que o diferencial competitivo reside na capacidade de **localizar rapidamente esses consumidores** e apresentar-lhes ofertas que sejam adequadas ao seu perfil financeiro atual.
Ele explica que, com autorização prévia, é possível analisar dados gerados pelo uso do smartphone para identificar quem mantinha **relacionamento com o Will Bank**. Essa análise cruzada de comportamento otimiza as campanhas de aquisição e reduz custos, focando apenas nos indivíduos que realmente perderam o acesso bancário e necessitam migrar.
Cruz também ressalta que parte desse público pode enfrentar **instabilidade de liquidez e de orçamento** no curto prazo, pois as obrigações financeiras (parcelamentos, faturas, etc.) contraídas anteriormente permanecem válidas.
“Para os concorrentes, o risco se transforma em oportunidade. Um crédito bem ajustado, renegociações e produtos de transição podem prevenir a inadimplência e estabelecer um relacionamento no momento de maior necessidade do cliente.”
O Fator Trauma e a Busca por Segurança
A disputa por esses clientes não será automática nem exclusiva das fintechs. Bruno Diniz, sócio da Spiralem e professor de inovação financeira, alerta para um efeito colateral significativo: o **trauma**.
Como muitos desses **consumidores possuíam baixa educação financeira** e estavam no início de sua jornada bancária, o processo de liquidação e a espera pelas resoluções burocráticas (como as do FGC) podem gerar frustração e desconfiança generalizada em relação a todas as instituições digitais, mesmo que o problema tenha sido específico do Will Bank.
“Neste cenário, uma parte desse público pode **procurar segurança em marcas mais estabelecidas**, mesmo que estas operem via aplicativo. Isso expande o leque de potenciais ‘herdeiros’ para além das fintechs puramente digitais”, conclui Diniz.
Visão Geral
A liquidação do Will Bank expôs uma vulnerabilidade no sistema financeiro que atende a classes de menor renda, criando uma corrida entre bancos e fintechs para absorver cerca de 12 milhões de clientes desassistidos. A competição se dará não apenas pela captação de novos usuários, mas pela capacidade de oferecer substituição imediata de infraestrutura de pagamentos e crédito. O sucesso dependerá da agilidade na identificação desses clientes e da oferta de soluções financeiras sensíveis ao seu momento de potencial estresse orçamentário. Contudo, o trauma gerado pela falência pode levar parte desse público a preferir instituições financeiras tradicionais, mesmo que digitais, em busca de maior percepção de segurança.
Créditos: Misto Brasil























