Corte na Geração Distribuída Aprovado: Procuradoria da ANEEL Libera Ações Técnicas, Mas Impede Novo Imposto sobre Prejuízos

Corte na Geração Distribuída Aprovado: Procuradoria da ANEEL Libera Ações Técnicas, Mas Impede Novo Imposto sobre Prejuízos
Corte na Geração Distribuída Aprovado: Procuradoria da ANEEL Libera Ações Técnicas, Mas Impede Novo Imposto sobre Prejuízos - Foto: Reprodução / Freepik AI
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Decisão da ANEEL estabelece limites para desligamentos em sistemas de energia renovável e veta a taxação de perdas operacionais.

A Procuradoria Federal Especializada (PFE) da ANEEL validou a legalidade de cortes técnicos em sistemas de Geração Distribuída (GD) por segurança, mas vetou o rateio de prejuízos, criando um cenário complexo para o setor de energia limpa.

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Validação dos Cortes Técnicos: O Fim da Imunidade Operacional

A principal vitória para as distribuidoras neste parecer reside na validação dos cortes técnicos. Em cenários de sobrecarga extrema ou de risco iminente à segurança do sistema – como blackouts localizados ou falhas de estabilidade –, a Procuradoria da ANEEL entende que a distribuidora tem o dever legal de atuar para preservar a rede, mesmo que isso implique o desligamento temporário de usinas de GD.

Isso desfaz a percepção de que os sistemas de energia renovável injetando na rede gozariam de imunidade absoluta contra intervenções operacionais. O parecer reafirma a primazia da segurança energética do grid sobre o direito de geração contínua de pequenos e médios empreendimentos.

Contudo, a validação vem com um alerta: essas intervenções devem ser estritamente técnicas, documentadas e não podem ser usadas como um substituto para o investimento adequado em modernização da infraestrutura de distribuição.

O Veto Crucial: Proibição do Rateio de Prejuízos na Geração Distribuída

O ponto mais sensível para o mercado de energia limpa foi o veto explícito ao rateio de prejuízos oriundos desses desligamentos. A Procuradoria da ANEEL entendeu que onerar a base de consumidores ou outros agentes do setor para compensar perdas financeiras causadas por um corte técnico específico é inaceitável.

A lógica regulatória aplicada é que, se o corte técnico é uma medida de defesa da rede pela distribuidora, as perdas decorrentes dessa ação devem ser arcadas pela própria distribuidora ou cobertas por mecanismos de seguro e gestão de risco, e não repassadas ao consumidor final ou aos geradores não envolvidos no evento.

Para os investidores em GD, isso significa que, embora a rede possa ser protegida, o gerador que sofrer o corte não terá uma via regulatória fácil para ser ressarcido, gerando um risco de perda de receita não compensada.

Impacto na Confiabilidade e no Investimento em GD

A incerteza gerada pelo veto ao rateio de prejuízos pode ter um efeito refrigerador sobre novos investimentos em GD. Se um gerador solar sabe que, em um dia de pico de geração, sua produção pode ser cortada e sua receita perdida sem possibilidade de compensação via rateio, o payback do projeto se estende.

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Este alerta regulatório força os empreendedores a incorporar um novo fator de risco em seus modelos de negócio: o risco de curtailment não compensado. Isso pode levar a uma concentração de novos projetos em áreas de rede já robustas, ou a uma exigência maior de tecnologias de mitigação, como sistemas de armazenamento integrados.

A ANEEL sinaliza que a expansão da energia renovável deve vir acompanhada de soluções de grid management por parte dos geradores, e não apenas da expectativa de que a distribuidora absorva os custos operacionais da rede congestionada.

O Papel das Distribuidoras e a Infraestrutura Elétrica

O parecer da Procuradoria da ANEEL coloca uma pressão ainda maior nas distribuidoras. Se elas não podem ratear os prejuízos de um corte técnico validado, elas são incentivadas a acelerar investimentos em infraestrutura elétrica — modernizando feeders, instalando smart meters e implementando sistemas de controle de fluxo avançados.

A mensagem é de que a solução para o congestionamento da GD não é o veto ao produtor, mas o investimento na capacidade de absorção da rede. O alerta regulatório visa forçar o player com monopólio de grid a modernizar-se para suportar o crescimento da energia limpa.

Em suma, a decisão é um equilíbrio delicado: protege o consumidor de custos não relacionados à sua conduta, valida a necessidade de intervenção técnica em emergências, mas deixa o investidor de GD vulnerável ao risco de curtailment sem ressarcimento direto. O jogo regulatório na Geração Distribuída acaba de ficar mais complexo e mais técnico.

Visão Geral

A decisão da Procuradoria da ANEEL sobre a Geração Distribuída permitiu cortes técnicos para proteger o sistema, mas manteve o veto ao rateio de prejuízos. Isso oferece segurança jurídica para ações emergenciais, mas impõe maior risco financeiro aos geradores de energia limpa, forçando investimentos em modernização da infraestrutura de distribuição pelas concessionárias.

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