Captura de Carbono: Estratégia Tecnológica Além da Preservação Florestal para a COP30

Captura de Carbono: Estratégia Tecnológica Além da Preservação Florestal para a COP30
Captura de Carbono: Estratégia Tecnológica Além da Preservação Florestal para a COP30 - Foto: Reprodução / Freepik
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O Brasil precisa integrar as Tecnologias de Captura (CCUS) para viabilizar a descarbonização industrial antes da COP30.

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A Imperatividade das Tecnologias de Captura (CCUS) no Cenário Brasileiro

O Brasil tem um papel único no cenário climático global, detendo a maior floresta tropical do planeta. Por décadas, o foco na captura de carbono esteve primariamente ligado às soluções baseadas na natureza (NBS), ou seja, a preservação e o reflorestamento de nossas vastas áreas verdes. Contudo, enquanto nos preparamos para sediar a COP30 em Belém, uma voz especializada levanta um alerta crucial: a transição energética e a descarbonização não serão viáveis sem as Tecnologias de Captura (CCUS).

O CCS Brasil (sigla em inglês para Carbon Capture and Storage, ou Captura de Carbono e Sequestro Geológico) defende que é imperativo que o país expanda seu olhar estratégico. Não basta apenas proteger a Amazônia; é preciso investir em soluções industriais que neutralizem as emissões de setores de difícil abatimento. O setor elétrico, a indústria de cimento e a produção de fertilizantes dependem diretamente dessa tecnologia para cumprir as metas climáticas.

A mensagem é clara: o mundo precisa de Captura de Carbono tecnológica para descarbonizar o volume colossal de emissões que as florestas, sozinhas, não conseguem absorver. Para os profissionais do setor elétrico, essa é a próxima grande fronteira de investimento em energia limpa e infraestrutura.

A Floresta Não é a Única Solução para a Descarbonização

É inegável que a manutenção das florestas brasileiras é a nossa principal contribuição climática e o maior sumidouro natural de carbono. No entanto, a transição energética exige que grandes emissores industriais, que são essenciais para a economia, encontrem formas de eliminar suas emissões de processo.

Setores como o Oil & Gas, que ainda fornecem grande parte da energia firme (gás natural) para o setor elétrico, e a petroquímica, não conseguirão zerar suas emissões apenas com a substituição de combustíveis. Eles precisam capturar o CO2 gerado e injetá-lo permanentemente no subsolo.

O CCS Brasil argumenta que, ao focar exclusivamente nas florestas, o país negligencia a criação de uma indústria de Captura de Carbono que poderia atrair bilhões em investimentos e gerar um novo mercado de serviços altamente especializados. A COP30 deve ser o palco para o Brasil mostrar ao mundo que tem soluções tecnológicas e ambientais.

O Potencial de Sequestro Geológico do Brasil

A defesa técnica do CCS Brasil reside na geologia favorável do território nacional. O Brasil possui vastas formações sedimentares, principalmente nas bacias costeiras e no pré-sal, que são ideais para o sequestro geológico seguro e de longo prazo do CO2.

Esses reservatórios geológicos profundos, onde o CO2 pode ser armazenado por milhares de anos, representam um ativo estratégico inexplorado. A tecnologia de Captura de Carbono não é uma promessa futura; ela já está em uso em escala industrial por empresas como a Petrobras, em seus projetos de EOR (Enhanced Oil Recovery) no pré-sal.

O desafio é expandir essa expertise para as fontes estacionárias de CO2, como as usinas termoelétricas a gás e as indústrias pesadas. Isso exige um mapeamento nacional robusto e um marco legal que regule o licenciamento e a responsabilidade de longo prazo pelo sequestro geológico.

CCUS: Gás Natural Firme com Carbono Zero no Setor Elétrico

O setor elétrico brasileiro, que depende de térmicas a gás para dar segurança e firmeza ao sistema em momentos de seca hidrológica, encontra no CCUS uma solução de ponte vital. Embora a energia solar e eólica sejam a base da transição energética, o gás natural é indispensável para evitar blecautes.

Com as Tecnologias de Captura (CCUS) aplicadas às usinas a gás, podemos garantir o suprimento firme e, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente a pegada de carbono dessas plantas. Isso permite que o Brasil continue a utilizar sua infraestrutura de gás (inclusive o recém-descoberto Gás Azul) de maneira compatível com as metas de neutralidade de carbono.

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O custo da Captura de Carbono está em queda, e o preço do CO2 evitado se torna um ativo financeiro (crédito de carbono). O CCUS transforma um passivo ambiental em um ativo econômico de alto valor agregado, essencial para a saúde financeira e a sustentabilidade das geradoras de energia.

O Desafio Regulatório: Destravando o PL e a ANP

Para que a Captura de Carbono industrial deslanche, é urgente que o Brasil crie um marco regulatório específico. O projeto de lei que trata do tema precisa ser aprovado e regulamentado pela ANEEL (no que tange a geração) e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que será a principal reguladora do sequestro geológico.

O CCS Brasil clama por essa segurança jurídica. Sem regras claras sobre outorga, licenciamento ambiental e, crucialmente, a responsabilidade de longo prazo pelo CO2 injetado, grandes projetos privados não sairão do papel. Nenhuma empresa investirá bilhões em infraestrutura de transporte e sequestro geológico sem a garantia de que a legislação é estável.

A COP30 em Belém, no coração da Amazônia, deve ser o momento de o Brasil apresentar um cronograma regulatório ambicioso. Mostrar que o país está legislando para descarbonizar sua indústria com tecnologia é tão importante quanto apresentar resultados na redução do desmatamento.

Financiamento e a Indústria de Serviço Verde

O BNDES e outros bancos de fomento têm um papel chave em financiar a infraestrutura inicial de Captura de Carbono. Isso inclui a construção de dutos e hubs de sequestro geológico que possam atender a múltiplos emissores (aço, cimento, termoelétricas) em polos industriais.

O desenvolvimento dessa infraestrutura criará uma nova cadeia de valor na economia verde. Serão necessárias empresas especializadas em monitoramento, transporte e injeção de CO2, gerando empregos de alta qualificação e expertise técnica para o setor elétrico e a indústria.

Investir em Tecnologias de Captura (CCUS) é, portanto, investir em diversificação econômica. O país deixa de ser apenas um exportador de commodities verdes (como os créditos de carbono florestais) para se tornar um player tecnológico na descarbonização industrial.

O Caminho Completo para a Transição Energética

O alerta do CCS Brasil não busca diminuir a importância das florestas, mas sim complementar a estratégia nacional. O Brasil, como líder climático, deve ter um portfólio completo de soluções de mitigação.

NBS cuida da biosfera; CCUS cuida da indústria. Ambos são vitais para que o Brasil atinja a neutralidade de carbono e mantenha sua competitividade econômica global. A COP30 é a oportunidade de ouro para o país demonstrar essa maturidade regulatória e tecnológica, consolidando a Captura de Carbono como o vetor indispensável para o futuro do setor elétrico e da transição energética.

A mensagem final para os decisores: olhar a Captura de Carbono para além da floresta é garantir que o Brasil não apenas prometa, mas entregue a descarbonização em todos os seus setores, protegendo empregos e assegurando um futuro energético limpo e firme.

Visão Geral

A estratégia climática brasileira, centrada na Amazônia, deve ser urgentemente complementada pela adoção das Tecnologias de Captura (CCUS). O CCS Brasil enfatiza que a descarbonização industrial e a garantia de energia firme para o setor elétrico dependem da regulamentação e do investimento no sequestro geológico, tornando a Captura de Carbono tecnológica um pilar essencial para o sucesso da transição energética apresentada na COP30.

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