O desperdício de 20% da energia renovável em 2025 resulta em um prejuízo financeiro significativo para o setor elétrico brasileiro.
Conteúdo
- Alerta Vermelho: O Custo Estrutural do Excesso Renovável
- O Efeito Inverso da Expansão: 20% Descartado e a Estabilidade do SIN
- R$ 6,5 Bilhões Acumulados: A Fragilidade do Modelo Contratual
- A Solução Imperativa: Armazenamento e Reforço de Linhas de Transmissão
- O Futuro da Transição Energética em Jogo
- Visão Geral
Alerta Vermelho: O Custo Estrutural do Excesso Renovável
O futuro da energia limpa no Brasil carrega um paradoxo amargo: a abundância gera desperdício financeiro. Relatórios consolidados do setor elétrico em 2025 chocam o mercado ao revelar que aproximadamente 20% do potencial de geração eólica e solar disponível foi cortado — um fenômeno conhecido como curtailment. Este volume de energia descartada se traduz em um rombo financeiro que já acumula R$ 6,5 bilhões em prejuízos, um valor que mina a competitividade e a sustentabilidade econômica do setor.
Para os profissionais de geração e regulação, este número não é apenas um sintoma; é o retrato da urgência em modernizar a infraestrutura de transmissão e expandir a capacidade de armazenamento. A euforia da expansão verde esbarra na capacidade de escoamento da rede.
O Efeito Inverso da Expansão: 20% Descartado e a Estabilidade do SIN
O índice de 20% de desperdício refere-se à energia que foi gerada, mas que o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisou descartar para manter a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). O curtailment ocorre predominantemente nas regiões com alta concentração de parques eólicos e solares — notadamente o Nordeste e partes de Minas Gerais — onde a injeção massiva de energia em horários de pico renovável excede a capacidade das linhas de transmissão existentes.
Este desperdício de geração é particularmente doloroso por atingir, majoritariamente, fontes que não geram custo variável de input (o sol e o vento são gratuitos). As perdas representam, em essência, receita perdida para os geradores contratados e um custo de oportunidade gigantesco para o país.
R$ 6,5 Bilhões Acumulados: A Fragilidade do Modelo Contratual
O valor acumulado de R$ 6,5 bilhões em prejuízo ao longo de 2025 acende o alerta financeiro. Embora os geradores eólicos e solares contratados recebam indenização por energia firme não despachada (em certos modelos), o custo final para o SIN é alto, sendo repassado, de alguma forma, via encargos setoriais ou ao Custo de Disponibilidade.
Este montante acumulado ameaça a atratividade de novos leilões e projetos. Se a margem de potencial de geração descartada é tão alta, o payback de novos investimentos fica comprometido, forçando analistas a reavaliar os custos de conexão e a robustez da infraestrutura de escoamento do SIN.
A Solução Imperativa: Armazenamento e Reforço de Linhas de Transmissão
O diagnóstico do problema é consensual: o Brasil desperdiça energia por falta de flexibilidade e capacidade de transmissão. A solução para reverter este quadro de perdas passa por duas frentes urgentes, alinhadas com discussões regulatórias recentes.
Primeiro, o armazenamento de energia. Sistemas de baterias em larga escala são a única forma de capturar o excesso de geração solar (que ocorre durante o dia, mas nem sempre coincide com o pico de demanda) e injetá-lo no sistema em momentos de restrição. O desenvolvimento de um marco regulatório para remuneração de serviços ancilares, que inclua o armazenamento, é vital para que o setor possa investir nessas soluções.
Segundo, a aceleração dos projetos de reforço de transmissão. As linhas que ligam os hubs de geração no Norte e Nordeste aos grandes centros de demanda no Sudeste precisam ser concluídas e comissionadas rapidamente para evitar que o potencial seja cortado pela metade novamente.
O Futuro da Transição Energética em Jogo
O resultado de 2025 obriga o setor a encarar a realidade: gerar energia limpa é apenas metade da equação. A outra metade é conseguir entregá-la ao consumidor de forma confiável e econômica. Continuar perdendo 20% do potencial de fontes que são o futuro da matriz implica em desperdiçar bilhões de reais e atrasar os objetivos de descarbonização.
A pressão para resolver o gargalo da infraestrutura e implementar tecnologias de flexibilidade nunca foi tão grande. O desafio para 2026 e além é transformar o potencial desperdiçado em receita, garantindo que a riqueza natural do sol e do vento seja integralmente aproveitada, e não mais apenas desperdiçada em nome da estabilidade momentânea do SIN.
Visão Geral
Em 2025, o Brasil desperdiça cerca de 20% do potencial de geração eólica e solar devido a restrições de infraestrutura, resultando em um prejuízo acumulado de R$ 6,5 bilhões. Este cenário evidencia a urgência em expandir a capacidade de transmissão e implementar soluções de armazenamento de energia para garantir a sustentabilidade econômica e a plena utilização das fontes renováveis no Sistema Interligado Nacional (SIN).






















