Aversão ao Risco do CMSE para 2026 Define Custos no Setor Elétrico

Aversão ao Risco do CMSE para 2026 Define Custos no Setor Elétrico
Aversão ao Risco do CMSE para 2026 Define Custos no Setor Elétrico - Foto: Reprodução / Freepik
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O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico mantém parâmetros conservadores de aversão ao risco, garantindo segurança energética, mas elevando potenciais custos ao consumidor em 2026.

Conteúdo

  • [A Deliberação Central do CMSE](#a-deliberao-central-do-cmse)
  • [O Freio de Arrumação no CVaR](#o-freio-de-arrumao-no-cvar)
  • [R$ 9,1 Bilhões: O Preço da Prudência Excessiva](#r-91-bilhes-o-preo-da-prudncia-excessiva)
  • [Curvas de Armazenamento: A CRef Sem Mudanças](#curvas-de-armazenamento-a-cref-sem-mudanas)
  • [A Justificativa do CMSE: Segurança Acima de Tudo](#a-justificativa-do-cmse-segurana-acima-de-tudo)
  • [Desafios da Integração com a Energia Limpa](#desafios-da-integrao-com-a-energia-limpa)
  • [Perspectivas do Setor Elétrico para 2026](#perspectivas-do-setor-elétrico-para-2026)
  • [Visão Geral](#viso-geral-1)

A Deliberação Central do CMSE

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) cravou seu posicionamento para o horizonte de 2026: cautela máxima. Em uma decisão que ecoa a prudência operacional dos últimos anos, o colegiado optou por manter inalterados tanto os parâmetros de aversão ao risco quanto a metodologia para o cálculo das curvas de armazenamento dos reservatórios. A notícia, que garante a segurança energética, acende um alerta no mercado sobre os custos que essa “trava regulatória” pode impor ao bolso do consumidor.

A deliberação central do CMSE é a manutenção da calibração do Conditional Value at Risk (CVaR), a principal métrica utilizada nos modelos computacionais (como o NEWAVE) para definir o nível de segurança do sistema. Em termos práticos, manter o nível de aversão ao risco significa que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) continuará a despachar as usinas termelétricas preventivamente, mesmo em cenários hídricos razoáveis, para evitar faltas de energia.

O Freio de Arrumação no CVaR

O parâmetro de aversão ao risco de 2026 será o mesmo adotado em 2025. Os modelos continuarão a considerar um percentual de cenários hidrológicos mais severos (os 15% piores) para orientar o despacho. A decisão se traduz em números específicos para os submercados: 20% para Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) e o subsistema Paranapanema, 30% para o Sul e o subsistema Iguaçu, e 23,3% para o Nordeste.

Essa rigidez metodológica, defendida como um colchão de segurança após as crises hídricas de 2021, é vista por entidades do mercado, como a ABRACEEL (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), como um excesso desnecessário. O argumento é simples: se o sistema está mais robusto e os reservatórios cheios, o custo de segurar a mão é alto.

R$ 9,1 Bilhões: O Preço da Prudência Excessiva

A crítica mais contundente à manutenção da aversão ao risco reside no impacto tarifário. Segundo estimativas de especialistas, a cautela excessiva do CMSE pode adicionar até R$ 9,1 bilhões de custo extra ao consumidor de energia apenas em 2026. Esse valor astronômico é resultado direto do despacho desnecessário de usinas termelétricas caras.

Quando o modelo exige alta aversão ao risco, as térmicas entram em operação mesmo quando as hidrelétricas poderiam dar conta do recado. Esse custo, que não seria incorrido em uma gestão otimizada, é repassado via Encargos de Serviço do Sistema (ESS) e acaba pressionando a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e, consequentemente, as bandeiras tarifárias.

Curvas de Armazenamento: A CRef Sem Mudanças

Além da aversão ao risco, o CMSE também chancelou a metodologia da Curva de Referência de Armazenamento (CRef) para o ano de 2026. A CRef é fundamental, pois estabelece os níveis mínimos de água que devem ser mantidos nos grandes reservatórios hidrelétricos ao longo do ano, garantindo a reserva estratégica do sistema interligado.

A manutenção da CRef nos mesmos parâmetros implica que as regras para a gestão dos recursos hídricos e para a otimização do uso da água permanecerão as de 2025. Isso confere previsibilidade aos geradores, mas, assim como o CVaR, reflete uma abordagem conservadora na exploração do potencial hidráulico nacional, priorizando o estoque.

A decisão de não alterar a metodologia da CRef para as curvas de armazenamento surpreendeu parte do setor que esperava uma flexibilização, dada a recuperação hídrica significativa observada nos últimos períodos. Os níveis de armazenamento ficaram acima de 65% em 2025 no Sudeste/Centro-Oeste, o principal submercado, indicando uma folga operacional considerável.

A Justificativa do CMSE: Segurança Acima de Tudo

O CMSE justifica a medida conservadora apontando para a incerteza hidrológica global e a necessidade de preservar a segurança do suprimento. Embora 2025 tenha apresentado um desempenho satisfatório, com bons níveis de armazenamento, o risco de eventos climáticos extremos (como El Niño ou La Niña) no biênio seguinte exige vigilância.

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Para o colegiado, a aversão ao risco calibrada em 2025 se mostrou eficaz para blindar o sistema de sustos operacionais. Manter os parâmetros para 2026 é, portanto, uma extensão de uma estratégia que provou ser bem-sucedida em garantir que o Brasil não volte a enfrentar o fantasma do racionamento.

No entanto, a grande questão para os economistas do setor elétrico é o *custo-oportunidade*. Ao priorizar a segurança operacional de forma tão enfática, o CMSE negligencia o potencial de redução do Custo Marginal de Operação (CMO), que é a base para o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) e, indiretamente, para o custo final da energia.

Desafios da Integração com a Energia Limpa

A manutenção da alta aversão ao risco tem um efeito colateral significativo na transição energética. O Brasil está vendo uma explosão de geração limpa, especialmente eólica e solar. Estas fontes, por serem intermitentes, exigem maior flexibilidade e precisão dos modelos de otimização.

Um CVaR elevado e curvas de armazenamento inflexíveis tendem a favorecer o despacho de geração mais controlável, como as térmicas, em detrimento de uma maior penetração e integração eficiente da energia renovável. Isso envia sinais de preço distorcidos para o mercado e pode desincentivar investimentos em tecnologias de flexibilidade.

A decisão do CMSE inclusive se relaciona com a discussão sobre tecnologias de armazenamento por baterias. Com a indefinição regulatória sobre como esses sistemas seriam remunerados em um ambiente de alto aversão ao risco, a XP Investimentos notou que o leilão exclusivo de baterias pode ser postergado para 2026. A cautela regulatória acaba freando a inovação necessária para o setor limpo.

Perspectivas do Setor Elétrico para 2026

O ano de 2026 será marcado, portanto, pela convivência entre um sistema fisicamente robusto e uma gestão regulatória extremamente conservadora. A segurança do suprimento parece garantida pela alta reserva de água e pela manutenção dos parâmetros de aversão ao risco.

Contudo, os agentes do setor elétrico que atuam com a comercialização e o consumidor final terão de lidar com a pressão de custos gerada por essa prudência. O mercado aguarda que, ao longo do ano, o CMSE e o ONS demonstrem capacidade de flexibilizar o despacho, caso o cenário hídrico continue favorável, mitigando o impacto dos R$ 9,1 bilhões projetados.

Em um contexto onde a sustentabilidade econômica se torna tão importante quanto a ambiental, a manutenção da aversão ao risco pelo CMSE representa um desafio duplo: garantir a segurança sem asfixiar a economia do país com custos energéticos desnecessariamente altos. O debate sobre a calibração ideal do CVaR e das curvas de armazenamento está longe de terminar, e 2026 será o termômetro dessa tensão regulatória.

Visão Geral

O CMSE optou por manter em 2026 a alta aversão ao risco e as metodologias atuais para as curvas de armazenamento, assegurando robustez operacional, mas expondo o consumidor a custos estimados de R$ 9,1 bilhões devido ao despacho preventivo de térmicas caras, desacelerando parcialmente a transição energética.

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