Análise Regulatória e Riscos de Desconformidade em Sistemas de Energia Solar no Brasil

Análise Regulatória e Riscos de Desconformidade em Sistemas de Energia Solar no Brasil
Análise Regulatória e Riscos de Desconformidade em Sistemas de Energia Solar no Brasil - Foto: Reprodução / Freepik
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A expansão da energia solar exige rigor técnico e regulatório para mitigar riscos de prejuízos e multas decorrentes de instalações fora da norma.

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O Custo Invisível da Não Homologação

A legislação brasileira, especialmente o Marco Legal da Geração Distribuída (Lei 14.300/2022), é clara: qualquer sistema fotovoltaico on-grid (conectado à rede) deve passar por um rigoroso processo de homologação de energia solar junto à distribuidora. Esse processo garante que o sistema é seguro e compatível com a infraestrutura da concessionária. O erro mais comum é ignorar esta etapa ou iniciar a geração antes da aprovação final.

A instalação de energia solar fora da norma neste quesito implica que o sistema não está registrado legalmente. A energia excedente injetada na rede não será contabilizada como crédito, resultando em perda total do benefício econômico. Pior, as concessionárias têm o direito de aplicar multas pesadas e solicitar a desconexão imediata da unidade geradora. Para um profissional, a ausência de homologação é um atestado de irresponsabilidade legal.

O processo de homologação exige o Parecer de Acesso e a vistoria final. Se o sistema for reprovado na vistoria por falhas na documentação ou na instalação física, o prejuízo recai sobre o integrador e o consumidor. A pressa em entregar o projeto sem cumprir as etapas burocráticas e técnicas essenciais é a principal fonte deste problema regulatório no setor fotovoltaico.

Falhas Técnicas: Mais Que Perda de Eficiência na Energia Solar

A desconformidade técnica é ainda mais grave, pois coloca em risco vidas e o patrimônio. As normas técnicas brasileiras (NBRs) não são sugestões; são requisitos obrigatórios que garantem a segurança elétrica e estrutural. A ABNT NBR 16690, específica para instalações fotovoltaicas, e a NBR 5410, para instalações elétricas de baixa tensão, são o pilar de qualquer projeto responsável.

Um erro muito comum é o dimensionamento inadequado dos cabos e dispositivos de proteção. Utilizar disjuntores e fusíveis de corrente contínua (CC) incorretos, ou ignorar a necessidade de seccionamento em ambas as polaridades do circuito fotovoltaico, é uma falha grave. Essas negligências aumentam drasticamente o risco de arcos elétricos e, consequentemente, de incêndios, um pesadelo para o setor de energia solar.

Outro ponto de atenção é o aterramento. A correta instalação do sistema de proteção contra surtos (DPS) e o aterramento dos módulos e estruturas são vitais. Projetos que economizam em proteções ou utilizam materiais sem certificação Inmetro não só estão fora da norma, mas também são bombas-relógio elétricas. A durabilidade e a segurança do investimento dependem diretamente do rigor técnico aplicado.

O Perigo da Expansão Silenciosa e a Fraude em Sistemas Fotovoltaicos

Com o tempo, o consumidor pode querer expandir seu sistema, instalando mais painéis para cobrir o aumento do consumo. A prática de realizar uma ampliação de sistema sem notificar a distribuidora é extremamente perigosa e ilegal.

Ao adicionar módulos, o integrador altera a capacidade de geração e a corrente de curto-circuito do arranjo. Um sistema ampliado secretamente pode sobrecarregar o inversor original e a fiação CC/CA projetada. Além de danificar permanentemente os equipamentos, essa alteração não autorizada configura uma instalação fora da norma, passível de punição. A distribuidora de energia pode interpretar essa ação como fraude ou desvio de energia, aplicando multas que anulam a economia solar por anos.

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O profissional do setor deve educar o cliente: toda e qualquer alteração no projeto original, seja adição, remoção ou substituição de componentes (como inversores), exige um novo Parecer de Acesso e atualização da homologação. A transparência regulatória é o único caminho para a longevidade e legalidade da energia solar.

O Papel Inegociável do Responsável Técnico (RT) e a Responsabilidade Técnica

A principal linha de defesa contra a instalação fora da norma é a atuação qualificada do Responsável Técnico (RT). Somente engenheiros eletricistas, engenheiros de energia, ou técnicos industriais com as devidas atribuições e registro no CREA ou CFT podem assinar projetos de geração distribuída. O RT é a ponte entre o cliente, o integrador e as regulamentações.

A Responsabilidade Técnica é formalizada pela ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou TRT (Termo de Responsabilidade Técnica). Estes documentos atestam que o projeto foi concebido e supervisionado de acordo com todas as leis e normas vigentes. Sem o devido registro, o projeto é legalmente nulo, independentemente da qualidade da instalação física.

Profissionais que buscam atalhos, subestimando a importância da Responsabilidade Técnica, não apenas colocam seus clientes em risco, mas também desvalorizam a reputação de todo o setor. A qualificação e o compliance regulatório são o novo padrão ouro.

Conformidade é Sustentabilidade e Economia na Energia Solar

A explosão da energia solar trouxe muitos aventureiros ao mercado, focados apenas no preço baixo e na entrega rápida. Contudo, o setor está amadurecendo e as fiscalizações das distribuidoras de energia estão se tornando mais rigorosas e frequentes, em parte devido ao monitoramento remoto. Ignorar as normas não é mais uma opção viável.

Para os profissionais que desejam prosperar, o diferencial competitivo não reside apenas na eficiência dos painéis, mas na garantia de um projeto 100% em compliance. Um sistema devidamente homologado, instalado seguindo as NBRs e com a devida Responsabilidade Técnica, assegura a rentabilidade prometida e protege o cliente contra prejuízos futuros.

Em última análise, garantir que a instalação de energia solar não esteja fora da norma é um imperativo ético, legal e econômico. A transição energética brasileira exige que o crescimento do mercado fotovoltaico seja pautado pela excelência em segurança e conformidade, garantindo que o investimento em energia limpa seja, de fato, sustentável em todos os sentidos.

Visão Geral

O crescimento acelerado do mercado fotovoltaico expõe uma crise de conformidade regulatória e técnica. A instalação de energia solar fora da norma, seja pela falta de homologação ou falhas nas normas técnicas, gera multas, perdas econômicas e riscos de acidentes. A qualificação do Responsável Técnico (RT) e o cumprimento estrito das exigências da ANEEL e ABNT são cruciais para a sustentabilidade legal e financeira do setor.

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