Alerta do ONS indica necessidade de despacho térmico adicional no início de fevereiro devido a condições hidrológicas.
Conteúdo
- Alerta ONS: Despacho Térmico Adicional Assombra Início Fevereiro
- A Causa Raiz: O Balanço Hídrico Desfavorável e a Energia
- O Custo da Firmeza: Impacto Econômico e Ambiental do Despacho Térmico Adicional
- A Flexibilidade em Xeque e a Geração Limpa
- O Papel dos Agentes de Geração Limpa
- Visão Geral
Alerta ONS: Despacho Térmico Adicional Assombra Início Fevereiro
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu um alerta que exige atenção imediata dos players do setor: há previsão de despacho térmico adicional já no começo de fevereiro. Este movimento sinaliza um período de estresse hidrológico no Sistema Interligado Nacional (SIN), forçando o acionamento de fontes mais caras e menos sustentáveis para assegurar a robustez do fornecimento de energia.
Para os profissionais focados em energia limpa e sustentabilidade, este é um lembrete severo da dependência estrutural que ainda mantemos das fontes de geração de apoio em momentos de baixa afluência.
A Causa Raiz: O Balanço Hídrico Desfavorável e a Energia
A decisão do ONS de prever o despacho térmico adicional não é arbitrária; ela reflete as projeções de afluência para os principais reservatórios hídricos do país. O começo de fevereiro se mostra crucial, indicando que as chuvas esperadas para recarregar os sistemas de armazenamento não atingiram o volume necessário ou esperado para cobrir a demanda crescente.
Quando os níveis de água caem abaixo dos limites de segurança definidos pelo Operador, o acionamento de termelétricas torna-se uma imposição regulatória para manter a margem de segurança operacional e evitar blecautes em um país cuja matriz é majoritariamente hidrelétrica.
O Custo da Firmeza: Impacto Econômico e Ambiental do Despacho Térmico Adicional
O despacho térmico adicional tem um preço duplo. Economicamente, as termelétricas acionadas — muitas vezes a gás, diesel ou óleo — possuem um Custo Variável Unitário (CVU) significativamente mais alto que a energia hídrica ou eólica. Isso se reflete diretamente nos custos do mercado de curto prazo (PLD) e, consequentemente, nas tarifas pagas por consumidores livres e cativos.
Do ponto de vista ambiental, o acionamento térmico representa um retrocesso momentâneo na trajetória de descarbonização do Brasil. Embora o volume de energia renovável ainda domine a matriz, o despacho fóssil aumenta as emissões de GEE associadas à operação do SIN, contrariando a narrativa de crescimento da energia limpa.
A Flexibilidade em Xeque e a Geração Limpa
A necessidade de acionar despacho térmico no começo de fevereiro levanta questões sobre a flexibilidade do sistema em absorver a intermitência das fontes renováveis e, ao mesmo tempo, lidar com a baixa hidrologia.
Os profissionais do setor observam que, se o despacho térmico é necessário para compensar a falta de água, o sistema precisa de mecanismos mais ágeis. É aqui que a Resposta da Demanda e o armazenamento em baterias se tornam cada vez mais vitais. Essas soluções poderiam, em tese, amenizar a necessidade de ligar as caras e poluentes usinas fósseis, preservando-as para emergências genuínas.
O Papel dos Agentes de Geração Limpa
Para os geradores de energia solar e eólica, a previsão do ONS serve como um lembrete constante de que sua geração é complementar, mas ainda não totalmente substitutiva da firmeza hídrica. A capacidade de planejar a operação sabendo que o despacho térmico adicional virá permite que estratégias de hedge e comercialização sejam ajustadas.
A comunicação transparente do ONS sobre a previsibilidade do acionamento térmico é fundamental para a gestão de risco no mercado de energia. Este alerta precoce permite que as empresas de energia se preparem para custos mais elevados, enquanto o sistema trabalha para otimizar cada metro cúbico de água disponível.
Visão Geral
Em suma, o despacho térmico adicional previsto para fevereiro é o preço da segurança hídrica em um cenário de hidrologia desafiadora. A lição para o setor é clara: a resiliência da matriz depende da diversificação de fontes firmes e do avanço urgente em armazenamento para reduzir nossa dependência do backup fóssil.




















