Análise do Setor Elétrico: O Paradoxo do Excesso Renovável e a Necessidade de Despacho Térmico no Brasil

Análise do Setor Elétrico: O Paradoxo do Excesso Renovável e a Necessidade de Despacho Térmico no Brasil
Análise do Setor Elétrico: O Paradoxo do Excesso Renovável e a Necessidade de Despacho Térmico no Brasil - Foto: Reprodução / Freepik
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O Brasil experimenta um paradoxo energético com superávit de fontes limpas e alta demanda por usinas térmicas, levantando questionamentos sobre a segurança do suprimento.

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O Dilema da Abundância Renovável e Ineficiência

Graças a um ciclo hidrológico favorável em algumas bacias e ao boom da energia solar e eólica — com projetos em escala de utility entrando em operação comercial em ritmo acelerado —, o Brasil tem conseguido despachar volumes recordes de energia limpa. Isso é excelente para o LCOE (Custo Nivelado de Energia) e para as metas ESG.

Contudo, essa abundância gera ineficiência. A energia limpa gerada em excesso muitas vezes não pode ser totalmente aproveitada devido aos gargalos de transmissão ou à falta de demanda imediata, levando ao acionamento de mecanismos de compensação que oneram o sistema.

A Demanda Bilionária e Inevitável por Usinas Térmicas

Apesar do volume renovável, as usinas térmicas continuam sendo a apólice de seguro do SIN. A demanda bilionária por despacho térmico não é um sinal de fracasso das renováveis, mas sim de cautela regulatória. O Operador Nacional do Sistema (ONS) mantém as térmicas em alerta ou em despacho parcial para garantir a estabilidade da frequência e a reserva de capacidade, especialmente em momentos de baixa nos reservatórios ou alta demanda pontual.

O custo desse acionamento é alto, visto que a energia térmica é a mais cara do mix. Essa necessidade de “segurança” explica os altos preços no Mercado de Curto Prazo (MCP) quando a geração hidrelétrica não supre toda a ponta.

O Risco de Apagão: Uma Análise de Vulnerabilidade do SIN

A pergunta central é se o risco de apagão aumentou com esse desequilíbrio. A resposta predominante entre especialistas é que o risco não aumentou, mas sim mudou de natureza.

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O perigo não reside na falta de capacidade total instalada — o Brasil está bem servido em capacidade instalada total —, mas sim na contingência e na transmissão. O verdadeiro risco de apagão surge quando:

  1. Falha de Transmissão: Gargalos regionais impedem que a energia limpa excedente no Nordeste chegue ao Sudeste/Centro-Oeste quando necessário.
  2. Eventos Hidrológicos Extremos: Uma seca prolongada e inesperada anularia rapidamente o excesso aparente e forçaria a dependência total das térmicas de forma contínua.

O excesso de energia limpa é um colchão, mas a demanda por térmica é o que garante que, se a água falhar ou se houver um problema estrutural de transmissão, o sistema não colapse. A demanda por backup térmico é, portanto, uma medida de resiliência regulatória, não um sinal de escassez estrutural no curto prazo.

O Futuro: Armazenamento, Flexibilidade e Hidrogênio Verde

Para resolver este paradoxo, a indústria foca em flexibilidade. O desenvolvimento de sistemas de armazenamento (baterias de grande escala) e a aceleração de projetos de hidrogênio verde como vetor energético são as próximas fronteiras. Isso permitiria que o excesso de energia limpa fosse armazenado em vez de desperdiçado ou ter seu despacho custosamente compensado.

Até lá, o Brasil continuará navegando entre a euforia da energia renovável abundante e a necessidade pragmática de manter as térmicas prontas, garantindo que o risco de apagão permaneça uma baixa probabilidade, apesar da complexa gestão do sistema.

Visão Geral

O setor elétrico brasileiro convive com o paradoxo de ter um excesso de energia limpa devido ao crescimento da solar e eólica, enquanto mantém uma robusta demanda bilionária por acionamento de usinas térmicas como garantia de segurança do SIN. O risco de apagão atual está mais ligado a falhas de transmissão e eventos hidrológicos extremos do que à capacidade instalada total, exigindo investimentos em armazenamento e flexibilidade para otimizar o uso da geração renovável.

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