A previsão da EPE aponta a necessidade de 19 GW de térmicas flexíveis até 2035 para assegurar a segurança energética frente à intermitência das renováveis.
Conteúdo
- Introdução e Contexto da Projeção da EPE
- A Necessidade da Flexibilidade no Sistema Elétrico
- O Combustível da Flexibilidade: O Debate do Gás e Sustentabilidade
- Transmissão e Armazenamento: Os Aliados das Térmicas Flexíveis
- Visão Geral
Introdução e Contexto da Projeção da EPE
A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) lançou um alerta estratégico que ressoa profundamente no planejamento do setor elétrico: para garantir a segurança energética até 2035, o Brasil precisará adicionar cerca de 19 GW de capacidade instalada em térmicas flexíveis. Este número, oriundo do PDE 2035, sublinha um ponto incontornável da transição energética: renováveis em grande volume exigem um sistema de backup rápido e confiável.
Para os analistas de energia renovável, essa previsão não é um retrocesso, mas sim o reconhecimento da maturidade da matriz. À medida que a solar e a eólica dominam a expansão, a necessidade de fontes de despacho rápido, que podem entrar online em minutos, se torna crítica para mitigar a intermitência.
A Necessidade da Flexibilidade no Sistema Elétrico
A grande maioria da nova capacidade que será construída nos próximos anos será limpa. No entanto, quando o regime de chuvas nas hidrelétricas é desfavorável ou quando os períodos de baixa irradiação solar e vento coincidem, o sistema precisa de fontes firmes. As térmicas flexíveis são projetadas exatamente para essa função: operar sob demanda.
A previsão de 19 GW representa uma fatia considerável da expansão total projetada. Estas usinas devem ser capazes de ligar e desligar com agilidade, garantindo que o suprimento de energia não oscile, protegendo o consumidor final das temidas bandeiras tarifárias extremas causadas por escassez de capacidade.
O Combustível da Flexibilidade: O Debate do Gás e Sustentabilidade
O ponto mais quente dessa projeção da EPE é o combustível que alimentará esses 19 GW. Historicamente, a fonte mais rápida e eficiente para flexibilidade é o gás natural. A expansão das térmicas representa, portanto, um grande boost para o mercado de gás, exigindo expansão de pipelines e infraestrutura de regaseificação.
Contudo, a pressão por sustentabilidade e descarbonização força a discussão: até que ponto esses 19 GW podem ser construídos com biogás ou, no futuro mais distante, hidrogênio verde como feedstock? A escolha do combustível definirá o impacto ambiental dessas novas usinas ao longo de sua vida útil.
Transmissão e Armazenamento: Os Aliados das Térmicas Flexíveis
A integração dessas térmicas flexíveis exige também um forte investimento em transmissão e smart grids. Se as novas unidades forem instaladas longe dos grandes centros de consumo (visando preços de combustível mais competitivos), a rede de transmissão precisará ser robusta o suficiente para escoar essa energia despachável rapidamente.
Ademais, é importante notar que, em longo prazo, o armazenamento (baterias de grande escala) pode competir com as térmicas flexíveis em termos de rapidez de resposta. Entretanto, a EPE, olhando para o pipeline de investimento até 2035, considera as térmicas como a solução mais madura e escalável para garantir a segurança no curto e médio prazo dessa década de expansão.
A mensagem do PDE 2035 é clara: a busca por energia limpa é prioritária, mas a resiliência do sistema exige componentes confiáveis de despacho rápido. Os 19 GW previstos são o preço da estabilidade em um sistema crescentemente renovável.
Visão Geral
A análise do PDE 2035 sinaliza que a segurança energética brasileira depende da implementação de 19 GW de térmicas flexíveis. Essas usinas são vistas como um mecanismo essencial de resiliência para equilibrar a intermitência das fontes renováveis, como solar e eólica, garantindo que o avanço da transição energética não comprometa o suprimento firme até 2035.






















