A exclusão do gás natural do REDATA gera impasse regulatório, ameaçando a atração de investimentos para data centers que demandam energia firme e confiável no Brasil.
Conteúdo
- O Imperativo da Energia Firme para o Digital
- A Pressão Política e a Batalha das Emendas sobre o REDATA
- Consequências para o Setor Elétrico e o Investimento em Data Centers
- Visão Geral
O Imperativo da Energia Firme para o Digital
Os data centers são os maiores consumidores de energia em termos de densidade e exigem fornecimento ininterrupto (24/7). A energia solar e eólica, apesar de essenciais para a descarbonização, são fontes intermitentes. O REDATA, ao condicionar incentivos à aquisição de energia limpa, ignora a necessidade de energia firme para backup ou suprimento primário em momentos de baixa geração renovável.
Pesquisas mostram que, apesar do foco em renováveis, a infraestrutura digital não pode tolerar downtime. O gás natural, por ser altamente despachável e com emissões significativamente menores que o carvão ou óleo combustível, é a ponte ideal. O setor produtivo argumenta que forçar 100% de suprimento renovável sem um lastro firme inviabiliza a atração de grandes hyperscalers internacionais.
A Pressão Política e a Batalha das Emendas sobre o REDATA
A pressão sobre o governo se intensificou no Congresso, com a apresentação de emendas à MP que instituiu o REDATA. A exclusão inicial do gás natural é vista por players industriais como um erro estratégico que compromete a competitividade do Brasil em infraestrutura digital.
A FIRJAN tem liderado o coro, defendendo que o gás natural deve ser enquadrado como fonte de energia firme, assim como a nuclear e, em certas condições, o biogás. A inclusão não visa substituir as renováveis, mas sim viabilizar a expansão dos data centers com segurança de suprimento.
Se os incentivos fiscais do REDATA forem limitados apenas a contratos de energia intermitente, o custo de garantir o suprimento secundário (geralmente via turbinas a gás ou geradores a diesel, que são mais poluentes e caros) será repassado, encarecendo o datacenter e afastando o investimento.
Consequências para o Setor Elétrico e o Investimento em Data Centers
Para o setor de energia, a decisão sobre o REDATA tem implicações diretas na demanda por gás natural e nas tarifas de energia de backup. Se o gás natural não for elegível aos incentivos, os players de infraestrutura digital terão que buscar fontes alternativas (e mais caras) para atender ao requisito de energia firme, o que eleva o custo operacional dos data centers.
A falta de uma solução clara para a energia firme dos data centers gera incerteza regulatória. Isso afeta o planejamento de expansão das concessionárias de gás e dos geradores termelétricos, que esperavam um offtake garantido por essa nova demanda digital.
A pressão do setor produtivo é um clamor por racionalidade na regulação. Viabilizar o crescimento do setor digital brasileiro passa, necessariamente, pelo reconhecimento do papel estratégico do gás natural como combustível de transição e âncora de confiabilidade para cargas críticas como os data centers. O governo agora precisa pesar o ímpeto da descarbonização total imediata contra a necessidade prática de garantir a estabilidade da infraestrutura tecnológica nacional.
Visão Geral
A disputa pela inclusão do gás natural no REDATA reflete o dilema brasileiro entre metas ambientais e a necessidade de infraestrutura digital robusta. A energia firme é um pré-requisito para a expansão dos data centers, e a FIRJAN e o setor produtivo pressionam o governo por uma regulação que reconheça o papel do gás como ponte essencial para a segurança e confiabilidade do fornecimento energético no Brasil.























