A proposta de um novo gasoduto para Uberaba, inserida no Plano Integrado da EPE, impulsiona o desenvolvimento industrial, mas agentes de mercado exigem estudos rigorosos de viabilidade e demanda futura.
Conteúdo
- Tom de Cautela e Viabilidade no Planejamento Energético
- Voz da Abegás: Exigência de Estudos de Oferta e Demanda
- O Potencial Industrial de Uberaba como Hub Gás-Químico
- O Desafio da Modelagem de Risco na EPE
- Visão Geral
Tom de Cautela e Viabilidade no Planejamento Energético
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), arquiteta central dos planos de expansão da matriz energética brasileira, colocou em pauta a potencial inclusão de um ambicioso gasoduto com destino a Uberaba, no Triângulo Mineiro. Contudo, a proposta, que visa impulsionar o polo industrial local e a expansão do suprimento de gás natural, tem sido recebida com ressalvas por diversos agentes do mercado. O tom predominante é de cautela, sugerindo que a empolgação com a nova infraestrutura deve ser temperada pela análise rigorosa de viabilidade e demanda futura.
Este debate toca o cerne da segurança do suprimento energético e o planejamento da expansão do gás natural. O Plano Integrado da EPE é o documento que baliza investimentos multibilionários, por isso, qualquer inclusão deve ser robusta e sustentada por projeções econômicas sólidas. A palavra de ordem entre os players é: não repetir erros de infraestrutura subutilizada.
Voz da Abegás: Exigência de Estudos de Oferta e Demanda
A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Natural (Abegás), que representa um elo vital na cadeia de consumo, é enfática. Segundo a entidade, a proposta de traçar um gasoduto até Uberaba, que abre portas para expansão futura a Goiás e ao Distrito Federal, está intrinsecamente ligada à comprovação de sua necessidade. A cautela pregada pelos agentes se resume a uma exigência metodológica: a inclusão no Plano Integrado depende fundamentalmente de estudos de oferta e demanda rigorosos.
Para os especialistas em geração, que monitoram a competitividade da termelétrica a gás, o risco é de stranded assets (ativos ociosos). Se o planejamento da EPE for muito otimista em relação ao consumo futuro na região, o custo da infraestrutura pode ser rateado sobre o sistema, encarecendo o gás natural para todos os usuários, incluindo termelétricas essenciais para a flexibilidade da matriz.
O Potencial Industrial de Uberaba como Hub Gás-Químico
A motivação para a inclusão do gasoduto em Uberaba é forte e local. A cidade é vista como um hub estratégico para o desenvolvimento de um polo gás-químico e para a produção de biometano. A conectividade por meio de um novo duto prometido de cerca de R$ 5 bilhões, ligando São Paulo ao Triângulo Mineiro, é vista como o motor para destravar este potencial industrial, atendendo setores como o agroindustrial e o siderúrgico.
O Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte (PIG), referência da EPE, já mapeou rotas, mas a materialização de um projeto específico como este, dentro do Plano Integrado, requer validação de que haverá demanda firme suficiente para justificar o investimento. A EPE, em avaliações anteriores, tem enfatizado a necessidade de os agentes interessados apresentarem estudos robustos.
O Desafio da Modelagem de Risco na EPE
O processo de inclusão no Plano Integrado não é automático. A EPE realiza avaliações de projetos sob o novo decreto do Programa Gas para Empregar, e o gasoduto para Uberaba já passou por, pelo menos, uma segunda rodada de análise. Esta etapa sinaliza que a proposta ganhou tração, mas não garante luz verde imediata.
A discussão técnica entre os agentes e a EPE foca na modelagem do risco. Incluir um projeto antes que a demanda seja contratada cria um passivo regulatório. Setores como a energia limpa observam com lupa, pois a expansão do gás natural precisa ser coesa com o avanço das renováveis. O gás natural precisa provar seu papel como fonte de backup confiável, e não como um custo extra não absorvido pelo mercado.
Além do Triângulo Mineiro: Expansão Regional
A ambição deste gasoduto não se restringe a Uberaba. Os defensores da infraestrutura veem o projeto como um corredor que pode, futuramente, levar o suprimento de gás natural para Goiás e o Distrito Federal. Essa visão de capilaridade é o que atrai o apoio político e regional, mas é também o que exige cautela dos agentes econômicos.
A logística de suprimento, incluindo a conexão com o pré-sal e a infraestrutura existente, deve ser otimizada. Um novo duto que não dialogue eficientemente com o sistema troncal eleva o custo logístico, comprometendo a competitividade do gás natural como alternativa à geração hidrelétrica em momentos de crise hídrica.
Visão Geral
Em suma, a inclusão do gasoduto para Uberaba no Plano Integrado da EPE é um sinal positivo de reconhecimento do potencial do Triângulo Mineiro. Contudo, a mensagem que ecoa entre os agentes é clara: a empolgação local deve ser moderada pela necessidade de estudos de demanda incontestáveis. A cautela técnica é a guardiã da sustentabilidade econômica do gás natural brasileiro.






















