Conteúdo
- Introdução e Desempenho de 2025
- Reservatórios Cheios: O Fator Crítico de 2025
- Curva de Referência para 2026: Segurança em Primeiro Lugar
- Aversão ao Risco Constante: O Debate do Custo
- A Dicotomia Econômica: Segurança vs. Eficiência
- O Impacto na Transição Energética e Sustentabilidade
- O Papel do ONS e a Otimização para 2026
- Visão Geral
Análise do Desempenho do Sistema Elétrico em 2025 e Projeções para 2026
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) confirmou um desempenho espetacular em 2025. Segundo o colegiado, o sistema elétrico brasileiro operou com desempenho robusto, garantindo a segurança energética em um ano de alta complexidade climática. Contudo, a grande notícia da reunião não foi o passado, mas sim o futuro: a aprovação da curva de referência de armazenamento para 2026. Essa decisão, que mantém a política de cautela máxima, é vista pelo mercado como um sinal de estabilidade regulatória, mas também gera questionamentos sobre os custos dessa prudência.
A avaliação do CMSE reflete uma realidade operacional positiva. Os níveis de reservatórios das hidrelétricas, especialmente no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o coração da matriz, permaneceram em patamares confortáveis ao longo de 2025. Essa situação, combinada com a crescente expansão de fontes de energia limpa (eólica e solar), blindou o país de sustos e manteve o sistema elétrico em uma zona de operação segura.
Reservatórios Cheios: O Fator Crítico de 2025
O grande pilar do desempenho robusto em 2025 foi a recuperação hídrica observada nos anos anteriores, cujo estoque se manteve. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o nível de armazenamento do Sudeste/Centro-Oeste ficou consistentemente acima dos 65%. Esse colchão hídrico garantiu que o Brasil pudesse absorver variações hidrológicas regionais sem depender excessivamente de fontes mais caras ou poluentes, otimizando o custo operacional do sistema elétrico.
Essa folga nos reservatórios permitiu ao ONS gerenciar a crescente intermitência da energia renovável sem grandes impactos. A matriz brasileira se mostrou resiliente, com a energia limpa desempenhando um papel fundamental na diversificação. O resultado foi um desempenho robusto que minimizou a necessidade de despachar usinas termelétricas de forma contínua, uma mudança bem-vinda na agenda de sustentabilidade.
Curva de Referência para 2026: Segurança em Primeiro Lugar
A principal deliberação do CMSE para o futuro foi a aprovação da Curva de Referência de Armazenamento (CRef) para 2026. A CRef é a métrica que estabelece os patamares mínimos de água que devem ser mantidos nos reservatórios ao longo do próximo ano, funcionando como uma garantia de segurança energética de longo prazo.
A metodologia da curva de referência aprovada mantém a rigidez observada em 2025, priorizando a preservação do armazenamento hídrico. O objetivo é evitar o cenário de 2021, quando a baixa nos reservatórios forçou o acionamento emergencial de térmicas. Para o CMSE, a manutenção de regras estritas de armazenamento é um seguro contra a incerteza climática, especialmente diante dos eventos extremos cada vez mais frequentes.
Aversão ao Risco Constante: O Debate do Custo
Junto com a curva de referência, o CMSE manteve inalterado o nível de aversão ao risco (CVaR) para 2026. Este é o ponto mais sensível para o mercado e a economia. Manter o CVaR no mesmo patamar significa que os modelos de otimização do sistema elétrico (como o NEWAVE) continuarão a operar com margens de segurança energética elevadas.
Em termos práticos, essa política de alta aversão ao risco pode resultar em um custo desnecessário para o consumidor. O modelo, ao priorizar a segurança acima da eficiência econômica, pode determinar o despacho térmico preventivo mesmo quando as condições hidrelétricas e a previsão de energia renovável não justificariam. A dúvida é se essa cautela não é excessivamente dispendiosa.
A Dicotomia Econômica: Segurança vs. Eficiência
O mercado, especialmente os comercializadores de energia, questiona se o desempenho robusto alcançado em 2025 não deveria justificar uma flexibilização na aversão ao risco para 2026. Segundo entidades do setor, a manutenção do CVaR pode gerar um sobrecusto bilionário. Esse valor, originado pelo despacho térmico mais caro, é socializado e afeta as tarifas de todos os consumidores.
O CMSE e o ONS, contudo, defendem que esse custo é um prêmio pago pela segurança energética. A experiência de crises anteriores demonstrou que a ausência de um desempenho robusto tem um custo social e econômico muito maior do que o despacho térmico preventivo. A chave está em encontrar o ponto de equilíbrio, onde a cautela não estrangule a competitividade do sistema elétrico.
O Impacto na Transição Energética e Sustentabilidade
A decisão do CMSE tem um impacto direto na agenda de transição energética. Embora o sistema elétrico tenha demonstrado desempenho robusto com a integração de mais energia limpa em 2025, a alta aversão ao risco pode atrasar o desenvolvimento de soluções complementares.
Tecnologias de armazenamento por baterias, por exemplo, são essenciais para lidar com a intermitência da energia solar e eólica. Contudo, o ambiente de alta cautela regulatória pode dificultar a precificação e a remuneração desses serviços de flexibilidade. Para a sustentabilidade, é crucial que o CMSE encontre modelos que valorizem a energia renovável despachável.
A manutenção da curva de referência e do CVaR para 2026 envia um sinal misto. Por um lado, garante a segurança energética, essencial para o investimento em energia limpa. Por outro, a rigidez do modelo de otimização pode não ser a mais adequada para um futuro cada vez mais descentralizado e baseado em fontes intermitentes. O desafio é calibrar a regulação.
O Papel do ONS e a Otimização para 2026
O ONS, como operador do sistema elétrico, será o principal responsável por executar as diretrizes do CMSE em 2026. O ONS deverá usar as curvas de referência e o alto CVaR para planejar a operação do sistema com o objetivo de manter o desempenho robusto de 2025.
Isso inclui uma gestão ainda mais sofisticada dos reservatórios e um monitoramento constante da entrada de nova potência instalada em energia limpa. O planejamento para 2026 deve considerar a aceleração da expansão de solar e eólica, garantindo que a transmissão e a sub-rede suportem esse fluxo sem comprometer a segurança.
O CMSE cumpriu seu papel de guardião da segurança energética. O ano de 2025 foi um sucesso operacional. A aprovação da curva de referência para 2026 e a manutenção da aversão ao risco asseguram que o sistema elétrico terá os reservatórios necessários para enfrentar qualquer adversidade hidrológica.
A mensagem é clara para o mercado: segurança energética não é negociável. Contudo, o debate que se estende para 2026 é sobre o preço dessa segurança. O setor elétrico profissional deve focar na inovação e em novas soluções de armazenamento que permitam, no futuro, reduzir a aversão ao risco sem comprometer a confiabilidade. Assim, o desempenho robusto poderá ser alcançado de forma mais eficiente e econômica.
Visão Geral
O CMSE manteve sua política de alta cautela para 2026, aprovando uma curva de referência rígida de armazenamento, após um 2025 de desempenho robusto. A manutenção da alta aversão ao risco visa garantir a segurança energética, mas gera preocupações sobre o aumento dos custos operacionais decorrentes do despacho térmico preventivo, impactando a transição energética.






















