Conteúdo
- Introdução ao Conflito sobre o Desenho do Leilão
- O Cerne da Crítica: Segurança vs. Custo no Leilão
- O Descompasso entre Inovação e Regulação no Planejamento
- A Posição das Baterias no Futuro do SIN
- O Chamado à Revisão Estratégica da Geração
- Visão Geral
Introdução ao Conflito sobre o Desenho do Leilão
A calmaria prévia aos leilões de armazenamento de energia foi brutalmente interrompida. A ABRAGET (Associação Brasileira de Geradores Termelétricos), uma das vozes mais influentes na geração do Sistema Interligado Nacional (SIN), veio a público com duras críticas ao desenho proposto para o próximo certame de aquisição de baterias. A associação reacendeu um debate que parecia adormecido: a verdadeira capacidade desses equipamentos em prover segurança eletroenergética ao SIN.
Para nós, profissionais do setor elétrico focados em matriz energética e planejamento de expansão, esta polêmica é um alarme vermelho. Significa que a integração de armazenamento de larga escala pode estar sendo feita sem o rigor técnico necessário para sustentar o sistema em momentos críticos.
O Cerne da Crítica: Segurança vs. Custo no Leilão
A principal crítica da ABRAGET, conforme ecoado em sua manifestação, reside na inadequação do desenho do leilão em exigir que as baterias atendam a requisitos de potência e firmeza que, tecnicamente, apenas fontes despacháveis tradicionais (como termelétricas a gás ou hídricas com reservatório) conseguem prover (Resultado 1).
A associação argumenta que, embora seja favorável à introdução de baterias no sistema — um avanço tecnológico necessário (Resultado 7) —, é inadequado que o leilão as trate como substitutas diretas de segurança de suprimento, que dependem de regimes hidrológicos estáveis ou de geração a combustível. O SIN depende de capacidade firme para os períodos de seca, algo que a tecnologia de baterias ainda não consegue garantir com a mesma longevidade e previsibilidade.
O Descompasso entre Inovação e Regulação no Planejamento
O debate reacende a tensão entre a adoção rápida de tecnologias de armazenamento e a necessidade de um planejamento que garanta a segurança eletroenergética. O risco, segundo os termelétricos, é que o foco no custo do leilão leve à contratação de serviços de sistema que são insuficientes para cobrir cenários extremos.
Em outras palavras, o desenho pode estar priorizando a contratação de baterias para serviços de estabilidade (como regulação de frequência) — onde elas brilham —, mas falhando em exigir requisitos de energia (MW.h) suficientes para sustentar o sistema durante longos períodos de pico de demanda em períodos sem vento ou sol.
A ABRAGET está preocupada que, ao apostar excessivamente na flexibilidade das baterias sem exigir a devida firmeza, o sistema fique vulnerável a apagões durante crises hídricas, um risco que as fontes térmicas tradicionais mitigam (Resultado 4).
A Posição das Baterias no Futuro do SIN
É inegável que o armazenamento é o futuro da integração de energia limpa. Fontes como a ABSAE já apontavam a importância do leilão de baterias para evitar riscos de apagões em horários de pico (Resultado 5). A questão levantada pela ABRAGET não é sobre se devemos ter baterias, mas como devemos comprá-las e remunerá-las.
Se o desenho do leilão não for aprimorado (Resultado 6), corre-se o risco de contratar um serviço de potência incompleto, que não entrega a capacidade de energia necessária para a segurança do SIN em momentos cruciais. A crítica sugere que o mercado está pulando etapas regulatórias importantes para implementar a tecnologia.
O Chamado à Revisão Estratégica da Geração
O clamor da ABRAGET é por um planejamento mais integrado, onde as baterias sejam vistas como complementares e não como um substituto total para a geração firme. A associação, que representa geradores, teme que um leilão mal desenhado desvalorize contratos de geração firmes e gere insegurança para o planejamento de investimento em usinas de base.
A polêmica reacende a necessidade de um diálogo franco entre ANEEL, ONS (Operador Nacional do Sistema) e os geradores sobre o papel exato que o armazenamento deve ter na matriz. A tecnologia é bem-vinda, mas sua segurança eletroenergética precisa ser validada por critérios técnicos inquestionáveis, e não apenas por atratividade de preço no leilão.
Visão Geral
A ABRAGET expressa críticas formais ao desenho do próximo leilão de baterias, argumentando que os requisitos de firmeza exigidos não refletem a capacidade atual da tecnologia para garantir a segurança eletroenergética do SIN. A associação defende um planejamento que integre o armazenamento de forma complementar à geração firme, evitando riscos de desabastecimento em cenários extremos, apesar de reconhecer a importância da inovação no setor elétrico e na matriz energética.






















