A Repsol Sinopec sinaliza cautela sobre o futuro de seus aportes no Brasil, citando o impacto do imposto sobre dividendos e a alta carga tributária como barreiras à competitividade.
A complexidade do cenário fiscal brasileiro voltou ao centro dos debates durante a ROG.e, evento realizado pelo IBP no Rio de Janeiro. Na última quinta-feira (24.set.2026), Gilberta Lucchesi, vice-diretora financeira da Repsol Sinopec, alertou para o risco de desestímulo a novos projetos de exploração e produção de petróleo e gás no país devido à pressão tributária elevada.
Para a executiva, a combinação entre a alíquota corporativa interna de 34% e a incidência adicional de 10% sobre dividendos remetidos ao exterior — vigente desde o início de 2026 — cria um ambiente oneroso. A preocupação central da companhia, que é uma joint venture entre a espanhola Repsol e a chinesa Sinopec, reside na possibilidade de os acionistas optarem por alocar capital em mercados internacionais que ofereçam margens de rentabilidade mais atrativas e previsíveis.
Impactos na estabilidade de longo prazo
Lucchesi enfatizou que não há uma oposição ideológica à taxação de proventos, mas defendeu que o governo avalie o peso acumulado dos tributos sobre as operações das empresas. Além do imposto sobre dividendos, a executiva apontou a instabilidade gerada por medidas como a tributação sobre a exportação de óleo bruto, cuja alíquota de 12% segue sendo renovada pelo Gecex, como fatores que dificultam o planejamento de investimentos de longo prazo.
Compromisso com o projeto Raia
Apesar das críticas, a Repsol Sinopec reafirmou seu compromisso com os projetos em curso, destacando o empreendimento de gás Raia, situado na Bacia de Campos. Com um investimento global estimado em US$ 9,2 bilhões, a companhia detém uma participação de 35% no ativo, o que representa um aporte de cerca de US$ 3,2 bilhões.
O projeto, operado pela Equinor em parceria com a Petrobras, serve como termômetro da necessidade de segurança jurídica. Segundo Lucchesi, como o ciclo de vida de um empreendimento desse porte pode levar décadas — desde o leilão em 2005 até o início da produção, previsto para 2028 —, a previsibilidade do regime tributário é um ativo tão essencial quanto a viabilidade técnica e geológica dos campos de petróleo.
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