A fêmea de harpia Katrina viajou de Foz do Iguaçu ao Distrito Federal em uma missão estratégica para a preservação da espécie, unindo-se ao macho Jorge no Zoológico de Brasília.
Uma das aves de rapina mais imponentes das Américas, a harpia (Harpia harpyja) acaba de ganhar um novo capítulo em sua jornada pela conservação. Katrina, uma fêmea de 10 anos e 6,5 kg, desembarcou em Brasília após uma operação logística especial realizada pelo programa Avião Solidário da Latam, garantindo que o transporte ocorresse com o máximo de segurança e bem-estar animal.
A ave, que nasceu e cresceu no Refúgio Biológico Bela Vista, mantido pela Itaipu Binacional, foi enviada para o Jardim Zoológico da capital federal com um objetivo claro: formar um novo par reprodutivo. Lá, ela encontrará o macho Jorge, um exemplar de cerca de 36 anos, dando continuidade a um trabalho científico fundamental para evitar o declínio populacional da espécie em seu habitat natural.
Um legado de cooperação científica
Esta movimentação não é apenas um evento isolado, mas o ápice de uma colaboração de longa data entre o Zoológico de Brasília e a Itaipu Binacional. Há mais de 20 anos, essa aliança permitiu o início do programa de reprodução da Itaipu, justamente a partir de uma ave cedida pela capital. Agora, o destino reserva um movimento simbólico: a descendente daquela linhagem original retorna para fortalecer o sistema.
Sobre a importância dessa troca genética e comportamental, especialistas ressaltam o papel do manejo integrado:
A integração entre instituições de referência permite que o Programa de Conservação Ex Situ atinja resultados expressivos, assegurando que o código genético de aves nascidas sob cuidados humanos contribua diretamente para a sobrevivência da espécie a longo prazo.
Compromisso com o futuro das aves de rapina
Katrina é filha da famosa harpia conhecida como “Caixa” e representa, atualmente, a descendência direta da primeira geração bem-sucedida do programa da Itaipu. A expectativa dos biólogos e veterinários envolvidos é que a formação deste novo casal em Brasília resulte em filhotes saudáveis, ampliando as possibilidades de manejo da espécie em cativeiro controlado.
Com essa transferência, o projeto reafirma a relevância da conservação fora do ambiente selvagem como uma ferramenta indispensável para proteger a biodiversidade brasileira. O acompanhamento rigoroso do desenvolvimento desse novo casal deve ser mantido pelas equipes técnicas, que monitoram de perto os primeiros passos da adaptação da ave ao novo ambiente no centro-oeste do país.























