A Isa Energia redireciona sua estratégia para o setor de armazenamento, sinalizando que deve priorizar o inédito leilão de baterias em vez da tradicional disputa de transmissão em outubro.
Em um movimento estratégico que marca uma mudança de rota, a Isa Energia confirmou que não pretende participar do próximo certame de transmissão previsto para outubro. Em vez de ampliar seu portfólio de linhas de alta tensão, a companhia agora volta suas lentes para o primeiro leilão de baterias do Brasil, uma tecnologia que promete ser o novo pilar de crescimento da gigante de infraestrutura energética.
O Ministério de Minas e Energia desenhou o certame de forma a fomentar o ecossistema nacional, dividindo o leilão entre projetos com exigência de conteúdo local e outros de mercado aberto. Para a Isa Energia, essa transição para o armazenamento representa uma oportunidade de aplicar seu know-how operacional em um modelo de negócio que dialoga diretamente com suas competências fundamentais.
Experiência operacional como diferencial competitivo
A entrada da empresa no segmento de baterias não parte do zero. A companhia já possui um diferencial técnico relevante por ser a única transmissora no país com experiência prática no setor, operando um sistema de 30 MW em Registro (SP). Este ativo é fundamental para garantir a estabilidade do fornecimento de energia no litoral paulista, especialmente durante picos de consumo no verão.
Conforme destacado pelo CEO da companhia, Rui Chammas, a semelhança entre o armazenamento e a gestão de concessões de transmissão torna o projeto financeiramente atrativo. O executivo ressaltou o alinhamento da estratégia com o perfil de risco da empresa:
Não está nos nossos planos ir para o leilão de transmissão, mas estamos estudando o leilão de baterias. As regras têm uma característica que aproxima muito da gestão de ativos que temos em concessão: não há risco de volume, preço de energia e haverá pagamento por disponibilidade e pode representar uma quarta avenida de crescimento no nosso portfólio.
Desafios e o cenário de mercado
Embora o otimismo prevaleça, a diretoria da Isa Energia, incluindo a CFO Silvia Wada, mantém cautela. A intensa concorrência no mercado de armazenamento de energia pode pressionar as margens de lucro, e a incerteza quanto à demanda real contratada pelo governo ainda é um ponto de atenção. O volume recorde de projetos cadastrados na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) — quase 300 GW — reforça que o certame será altamente disputado.
Atualmente, a empresa segue focada na execução de seu robusto plano de investimentos, avaliado em R$ 12 bilhões, destinado a projetos de transmissão já arrematados em leilões passados. O futuro da companhia parece atrelado a essa nova frente tecnológica, que ao remunerar pela disponibilidade de potência, oferece a segurança necessária para que a Isa Energia continue sendo um player estratégico na modernização e sustentabilidade do sistema elétrico brasileiro.





















