Falha em linha de transmissão de 138 kV provocou interrupções significativas de energia no Mato Grosso e Pará, atingindo uma carga total de 516 MW durante o fim de semana.
Um incidente técnico em uma linha de transmissão impactou o fornecimento de energia elétrica para consumidores no norte do Mato Grosso e parte do Pará na noite do último sábado (1º). O desligamento automático da linha Salto Paraíso–Alta Floresta, de 138 kV, gerou um efeito em cascata que sobrecarregou o sistema regional, resultando em uma interrupção que atingiu o pico de 516 megawatts (MW).
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) detalhou, por meio do informe preliminar (Ipie), que a instabilidade ocorreu em duas etapas distintas. Enquanto a primeira interrupção foi controlada em pouco mais de dez minutos, a segunda falha, ocorrida horas depois, desencadeou desligamentos em equipamentos de transmissão adicionais, complicando o processo de recomposição do fornecimento.
Detalhes das interrupções e áreas afetadas
O problema inicial, registrado às 21h15, causou o corte de 124 MW atendidos pela distribuidora Energisa Mato Grosso, sendo normalizado rapidamente. Contudo, às 23h05, a reincidência da falha na mesma linha afetou ativos da Axia Energia Norte e da Empresa Brasileira de Transmissão de Energia (EBTE). O impacto se espalhou por polos importantes como Sinop, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Nova Mutum.
Conforme a nota oficial da Energisa, a rede de distribuição sob sua responsabilidade não apresentou danos estruturais, sendo o problema centralizado na infraestrutura de transmissão de terceiros. Em comunicado, a distribuidora reforçou o esforço de suas equipes:
A empresa afirmou que manteve equipes mobilizadas e acompanhou o processo de restabelecimento em contato com o ONS. A Energisa ressaltou ainda que a ocorrência envolveu uma linha sob responsabilidade de uma transmissora e que sua rede de distribuição permaneceu íntegra.
Desdobramentos e normalização
O processo de recuperação da carga foi gradual, estendendo-se até a madrugada de domingo (2). Enquanto o fornecimento no Pará foi plenamente restabelecido por volta de 1h29, a normalização completa no Mato Grosso demandou cerca de três horas, finalizando às 2h03. Apesar do retorno da energia, a subestação de Sinop registrou a indisponibilidade de um equipamento logo após o evento.
Até o momento, a causa exata para as falhas sucessivas no sistema de transmissão permanece sob investigação pelas entidades competentes. O episódio acende um alerta sobre a resiliência da rede de suprimento em regiões estratégicas de agronegócio e desenvolvimento, onde a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) é fundamental para a continuidade operacional das indústrias e o bem-estar das comunidades locais.




















