A gestão da água deixa de ser um mero tema ambiental para se tornar um pilar estratégico na mineração. No Cerrado, a recirculação hídrica e a liderança feminina impulsionam a resiliência e a sustentabilidade no setor.
Em um cenário marcado pelas incertezas causadas pelas mudanças climáticas, a gestão dos recursos hídricos ascendeu ao topo das prioridades operacionais da mineração. No coração do Cerrado, o recurso deixou de ser apenas um insumo produtivo para se transformar em uma variável estratégica que define a competitividade e a resiliência das empresas diante dos novos desafios ambientais.
Na unidade da Aura em Almas (TO), essa mudança de paradigma é visível na prática. Com o reaproveitamento intensivo de água em seus processos de beneficiamento, a companhia conseguiu consolidar um modelo de operação que prioriza a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais, garantindo que o desenvolvimento econômico caminhe lado a lado com a proteção dos ecossistemas locais.
Segurança hídrica como diferencial competitivo
A operação em Almas exemplifica como a tecnologia e o rigor técnico podem viabilizar a sustentabilidade. A unidade já recircula cerca de 60% da água utilizada e mantém um sistema rigoroso de monitoramento, com 18 pontos de análise espalhados pela planta. Esse ciclo fechado, onde a água é recuperada após a deposição de rejeitos, evita o descarte de efluentes no ambiente, demonstrando que a mineração moderna pode ser um motor de eficiência hídrica.
A engenheira ambiental Luiza Murta Gatti, profissional que atua diretamente nessa frente, destaca a importância desse compromisso técnico:
“Atuar com gestão ambiental e recursos hídricos representa um grande desafio, mas também uma oportunidade de contribuir para que a mineração seja cada vez mais sustentável. Acredito que o equilíbrio entre produção, preservação ambiental e desenvolvimento social é o caminho para garantir que os recursos naturais sejam utilizados de forma responsável e deixem um legado positivo para as próximas gerações.”
Liderança feminina e inovação na mineração
A evolução da agenda de sustentabilidade também tem redefinido o perfil dos profissionais responsáveis pelas decisões críticas no setor. Embora as mulheres ainda sejam minoria na força de trabalho da mineração, sua presença é cada vez mais expressiva em cargos de engenharia e gestão ambiental. Essa diversidade é apontada como um fator fundamental para a inovação e a capacidade de adaptação das operações aos novos riscos climáticos.
Para Luiza Murta Gatti, a presença feminina nos espaços de decisão traz novas perspectivas para problemas complexos. Ela observa que a integração entre tecnologia e diálogo constante com a comunidade é o que permite transformar a gestão hídrica em um fator de desenvolvimento regional, protegendo nascentes e bacias hidrográficas essenciais, como a do Rio Manuel Alves.
O futuro do setor
A transformação vivenciada na unidade de Almas, que combina monitoramento preciso, recirculação hídrica e o uso de Inteligência Artificial para otimização energética, aponta o caminho para o futuro da mineração brasileira. Ao elevar a gestão da água ao patamar de pilar estratégico, as companhias não apenas garantem sua licença social de operação, mas asseguram a perenidade do negócio.
A tendência é que esse modelo de gestão integrada se torne o padrão para o setor. Em um futuro próximo, a capacidade de preservar a disponibilidade hídrica será, indiscutivelmente, o termômetro de sucesso para empresas que operam em biomas sensíveis como o Cerrado, consolidando a mineração como um setor protagonista na transição para uma economia mais verde e consciente.























