Um levantamento alarmante revela quase 500 mil denúncias ambientais no Brasil entre 2023 e o segundo trimestre de 2026, evidenciando a urgência da fiscalização e da conscientização para a proteção dos nossos ecossistemas.
O Brasil registrou um número impressionante de quase meio milhão de denúncias ambientais entre 2023 e o segundo trimestre de 2026. Os dados, compilados pela plataforma de dados jurídicos Escavador, pintam um quadro preocupante sobre a situação da sustentabilidade e a fiscalização ambiental no país, evidenciando uma escalada significativa de infrações.
A análise mais recente, divulgada com a proximidade do “Junho Verde” e do Dia Mundial do Meio Ambiente, aponta para um volume de mais de 21 mil denúncias apenas nos primeiros meses de 2026. No entanto, este número, embora expressivo, indica uma desaceleração em relação aos anos anteriores, que foram marcados por um crescimento exponencial. O ano de 2025, em particular, fechou com um aumento recorde de 868% no volume de denúncias.
Crescimento Alarmante e Flutuações Preocupantes
O ano de 2025 se destacou como um período de intensa atividade de infrações ambientais, com a plataforma Escavador registrando um total de 367 mil denúncias. Um comparativo com o mesmo período de 2024 revela uma escalada notável, com um aumento de dez vezes no número de crimes contra o meio ambiente, quando foram registrados aproximadamente 37 mil processos. Essa disparidade sublinha a volatilidade e a urgência em se abordar as questões ambientais.
As denúncias abrangem uma vasta gama de problemas, refletindo a complexidade dos desafios ambientais no Brasil. Desde a destruição de biomas como a Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Amazônia, até questões como licenciamento ambiental, mineração, agrotóxicos, poluição, saneamento, gestão de florestas e áreas de preservação, os dados da plataforma cobrem 25 categorias cruciais para a saúde do nosso planeta.
Desaceleração em 2026 e Análise das Oscilações
Apesar do cenário de crescimento acentuado nos anos anteriores, o primeiro semestre de 2026 apresentou uma tendência de desaceleração. Entre janeiro e maio, foram registradas cerca de 21,9 mil denúncias ambientais, um número significativamente inferior aos mais de 90,8 mil processos acumulados no mesmo período de 2025. A maior oscilação mensal ocorreu em maio de 2025, com mais de 68 mil casos, e abril superando 12 mil.
A análise mensal da Escavador aponta que a mudança mais brusca no volume de processos começou a ser percebida a partir de maio de 2025, quando os registros saltaram para 68 mil denúncias, alcançando o pico em junho, com mais de 134 mil casos. Os meses seguintes mantiveram os índices elevados antes de uma desaceleração gradual no último trimestre do ano.
Monitoramento e Fiscalização em Foco
Diante dessa volatilidade, a Coordenadora Jurídica e DPO da Escavador, Dalila Pinheiro, ressalta a importância do monitoramento contínuo e da evolução dos mecanismos de fiscalização ambiental no Brasil.
“A preocupação, neste momento, é compreender a volatilidade dos registros ambientais ao longo dos últimos anos. No entanto, a alternância entre picos e quedas no volume de denúncias pode indicar tanto maior capacidade de detecção quanto mudanças no comportamento das infrações e da fiscalização ambiental no país”, explica Dalila.
Sudeste Lidera Denúncias, Minas Gerais em Destaque
A análise regional aponta a região Sudeste como a que concentra a maior parte das ocorrências ambientais, com forte participação de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A região totaliza 400 mil processos ambientais. Em seguida, aparecem o Centro-Oeste (27 mil denúncias), Norte (18 mil), Sul (17 mil) e Nordeste (14 mil).
No recorte estadual, Minas Gerais lidera com expressivos 365 mil processos ambientais. São Paulo vem em segundo, com 26 mil, seguido por Mato Grosso (22 mil), Pará (7 mil) e Rio de Janeiro (7 mil). Estados como Piauí (261 registros) e Rio Grande do Norte (453) aparecem com os menores volumes.
Explicações e Conscientização Crescente
Dalila Pinheiro aponta que a concentração de atividades como mineração, uso do solo e exploração de recursos naturais em estados como Minas Gerais contribui para o alto número de denúncias. A presença de grandes polos industriais também aumenta a pressão sobre áreas sensíveis.
“O aumento da visibilidade das questões ambientais tem ampliado a capacidade de denúncia e de fiscalização social, começando pelo estado de Minas. Isso significa um cenário mais ativo de monitoramento, tanto por parte da sociedade quanto das instituições públicas”, conclui a Coordenadora Jurídica do Escavador.
Este cenário reflete um aumento na conscientização ambiental e na capacidade de monitoramento, tanto por parte da sociedade civil quanto das instituições públicas, um passo crucial para a proteção do meio ambiente brasileiro.






















