A reforma do setor elétrico brasileiro foi amplamente defendida por executivos e autoridades, destacando a necessidade de previsibilidade regulatória e modernização nos sinais de preço para o mercado.
Abertura do mercado e sinais econômicos
A CEO da SPIC Brasil, Adriana Waltrick, avaliou de forma positiva a aprovação da abertura do mercado livre de energia, ressaltando que a reforma traz sinais econômicos mais corretos para expansão do sistema.
“Ela consolida a abertura de forma sustentável, buscando neutralizar impactos e evitar choques tarifários para consumidores cativos”
Adriana também destacou a importância da revisão dos subsídios setoriais, focando no esforço estruturado para conter o crescimento da CDE. Para a executiva, a correta formação de preços é essencial para viabilizar novas tecnologias, como sistemas de armazenamento, garantindo um ambiente mais estável para os players do setor elétrico.
Volatilidade de preços e confiabilidade do sistema
O vice-presidente da Axia Energia, Rodrigo Limp, reforçou que a volatilidade dos preços é uma consequência natural de um sistema mais complexo.
“Isso não é exclusividade do Brasil. Mercados como Califórnia e Austrália têm volatilidade ainda maior”
Segundo ele, preços mais aderentes à operação do sistema são fundamentais para atrair investimentos em flexibilidade. Se o custo não refletir adequadamente a operação, não haverá sinal econômico para o desenvolvimento de infraestruturas necessárias, como usinas reversíveis e baterias. A busca por essa harmonia é um dos grandes desafios para manter a segurança e a confiabilidade de todo o sistema energético nacional.
Autoprodução e previsibilidade para a indústria
Representando os grandes consumidores industriais, o CEO da Norsk Hydro Brasil, Anderson Baranov, defendeu a autoprodução como estratégia de competitividade.
“Energia é a essência do nosso negócio. São mais de 2,3 GW em autoprodução e bilhões em investimentos”
Baranov alertou para os riscos de instabilidade.
“Quando regras mudam abruptamente, quem investiu cinco anos atrás pode se deparar com um ambiente que inviabiliza decisões tomadas de boa-fé”
Para ele, a segurança jurídica é uma condição básica. Sem previsibilidade, o Brasil dificilmente conseguirá aproveitar plenamente seu potencial energético, desencorajando aportes de longo prazo que são fundamentais para a estabilidade econômica do país.
Governança, integração institucional e o futuro do setor
O CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, defendeu que a coordenação entre MME, ANEEL, ONS e CCEE será decisiva.
“MME, ANEEL, ONS e CCEE precisam atuar de forma integrada. Nunca foi tão urgente tomar decisões rápidas e coordenadas”
Ele destacou que, com juros elevados, o capital é escasso, tornando a indefinição sobre regras de transição um entrave ao apetite dos investidores. A avaliação final é que, embora o setor tenha avançado, o sucesso depende de uma implementação técnica eficiente. Fazer a reforma funcionar de forma sustentável para todos os segmentos é, atualmente, a meta principal para garantir o desenvolvimento do setor elétrico.






















