A Cosan reacende planos de abertura de capital da Compass, sinalizando amadurecimento regulatório e busca por desalavancagem de ativos de gás natural.
Conteúdo
- O Retorno do Gigante Suspenso e a Estratégia de Desalavancagem
- Gás Natural: O Elo Indispensável da Transição Energética e o Lastro Firme
- O Papel da Cosan e a Otimização Societária Através do IPO da Compass
- Expectativa do Mercado e a Janela de Oportunidade para Infraestrutura
- Visão Geral
O Retorno do Gigante Suspenso e a Estratégia de Desalavancagem
O plano original para o IPO da Compass foi suspenso em 2020, em meio à turbulência da pandemia e a um ambiente regulatório ainda em consolidação no segmento de gás. Naquele momento, o mercado não absorveu a oferta nos termos desejados pela Cosan. A retomada do estudo, agora, é fundamentada por um cenário macroeconômico e, sobretudo, regulatório, mais maduro para investimentos em infraestrutura.
A Cosan (CSAN3), sempre atenta à gestão de seu passivo, vê a listagem da Compass como uma ferramenta primária para desalavancagem. Separar a empresa de gás natural — que detém ativos robustos em distribuição e logística — permite que o mercado a precifique como uma pure-play de infraestrutura e gás, alcançando múltiplos mais atrativos.
Gás Natural: O Elo Indispensável da Transição Energética e o Lastro Firme
A Compass é um vetor central na estratégia de gás natural da Cosan. Seu portfólio abrange desde a regaseificação e transporte por dutos até a distribuição capilarizada. No debate sobre a agenda de infraestrutura, o gás natural (GNL) é cada vez mais reconhecido como o “combustível de ponte”.
Enquanto o Brasil migra agressivamente para fontes intermitentes como a solar e a eólica, o GNL oferece a segurança de lastro firme necessária para evitar blackouts e garantir a estabilidade do grid. O IPO da Compass coloca um ativo essencial à frente dos investidores, alinhando-se perfeitamente com a demanda por infraestrutura que suporte a transição energética.
O Papel da Cosan e a Otimização Societária Através do IPO da Compass
O interesse renovado no IPO reflete uma estratégia mais ampla da Cosan de otimizar sua estrutura. A controladora tem historicamente realizado movimentos para “destravar valor” em suas subsidiárias, como já ocorreu com a Rumo (ferrovias) e a Raízen (renováveis/açúcar e etanol).
A Compass, com investimentos significativos em logística de gás natural, incluindo projetos de GNL em pequena escala (small-scale), apresenta agora um pipeline de crescimento sólido. O potencial de expansão no mercado de gás industrial e a integração com o biometano reforçam a tese de investimento que será apresentada aos roadshows.
Expectativa do Mercado e a Janela de Oportunidade para Infraestrutura
A decisão de retomar o estudo sugere que a Cosan percebeu uma janela de mercado mais favorável, com apetite renovado por infraestrutura de longo prazo, mesmo em cenários de juros mais elevados. O timing é fundamental, especialmente após a suspensão anterior.
Para os profissionais do setor elétrico, a movimentação da Compass é um termômetro para a saúde do mercado de capital markets brasileiro. O sucesso desta oferta injetará confiança na capacidade do país de atrair grandes volumes de equity para projetos de infraestrutura cruciais para a segurança energética e a descarbonização da indústria. A expectativa é que os bookrunners já estejam mapeando o momento ideal para colocar a Compass novamente no centro das atenções de Wall Street e do mercado local.
Visão Geral
A Cosan reativa o IPO da Compass, focando na desalavancagem e na valorização de seus ativos de gás natural como infraestrutura essencial à transição energética brasileira, aproveitando um ambiente regulatório mais maduro para atrair equity e reforçar a segurança do lastro firme.























