Transição Energética Sob Pressão do Governo e os Desafios da Energia Limpa no Brasil em 2026
Brasília, 6 de fevereiro de 2026 – O cenário para a economia verde no Brasil em 2026 é marcado por um paradoxo: enquanto o país busca consolidar sua posição como líder global em sustentabilidade, o setor de energia limpa enfrenta seu momento de maior pressão tributária. A convergência do fim de isenções históricas e a implementação de novos impostos redesenham o mercado de energia solar e mobilidade elétrica, exigindo uma readequação de estratégias de investidores e consumidores.
Mobilidade Elétrica: A Barreira dos 35%
O marco mais crítico deste ano ocorre em julho de 2026, quando a alíquota do Imposto de Importação para todos os veículos eletrificados (elétricos, híbridos plug-in e convencionais) será unificada em 35%. Este aumento encerra o cronograma de retomada gradual iniciado em 2024 e atinge diretamente os modelos montados vindos do exterior, especialmente da Ásia.
O governo defende que a medida é essencial para financiar o Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), que oferece incentivos à industrialização nacional. No entanto, analistas alertam que o custo imediato será sentido no bolso: modelos populares que em 2023 eram isentos agora carregam um custo tributário que pode inviabilizar a meta de democratização do carro elétrico no curto prazo.
Energia Solar: O Fim da Era das Isenções
No setor fotovoltaico, 2026 consolida mudanças que alteram o tempo de retorno do investimento (ROI). Além do Imposto de Importação sobre painéis solares — que para volumes acima das cotas estabelecidas pode chegar a 25% ou mais conforme o esgotamento dos limites isentos — o consumidor enfrenta a escalada da chamada “Taxação do Sol”.
- Fio B: Pela Lei 14.300, a cobrança pelo uso da rede para novos sistemas atinge 60% do custo do Fio B neste ano.
- Equipamentos: O fim do subsídio fiscal (VAT) na origem (China) e o aumento de custos logísticos devem encarecer módulos e baterias no primeiro semestre.
A ABSOLAR estima que essas mudanças colocam em risco bilhões em investimentos planejados, enquanto a indústria nacional, apoiada pela Abinee, vê na medida uma proteção necessária contra a concorrência desleal estrangeira.
A Reforma Tributária no Horizonte
Somando-se às taxas setoriais, 2026 marca o início dos testes da Reforma Tributária, com a introdução das alíquotas iniciais de 0,1% (IBS) e 0,9% (CBS). Embora o impacto imediato seja nominal, a transição para o modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) gera incertezas sobre como serviços de locação de usinas solares e assinaturas de energia serão tributados no futuro modelo de destino.
Perspectiva
Apesar do “impostaço“, o mercado de energia limpa não deve parar, mas sim se transformar. A aposta para 2026 recai sobre a fabricação local e a eficiência tecnológica. Empresas que conseguirem nacionalizar componentes ou oferecer soluções de armazenamento mais eficientes devem liderar o setor em um ano onde a economia financeira direta na conta de luz ou no combustível deixará de ser o único atrativo, dando lugar à segurança energética e ao compromisso ESG corporativo.























