A escalada de tensões no Irã impulsiona o preço do petróleo Brent, anulando esforços dos EUA para estabilizar o mercado via Venezuela.
Conteúdo
- A Questão Irã e o Risco de Interrupção da Oferta
- Preço dos Combustíveis nos EUA: Crises Globais vs. Políticas Domésticas
- Visão Geral
A Questão Irã e o Risco de Interrupção da Oferta
A elevação dos conflitos no Irã reverteu a tendência de queda no preço do petróleo tipo Brent, referência mundial, que vinha sendo observada desde dezembro de 2025. Essa escalada anulou o efeito esperado das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visando aumentar a produção de petróleo da Venezuela e influenciar o mercado. Especialistas apontavam que, apesar das intenções americanas de manter o preço do petróleo em baixa, a intensificação da presença naval americana pressionando o Irã gerou uma forte incerteza sobre a produção local, resultando em uma alta acentuada nas cotações.
A situação atual envolve navios americanos cercando o Irã, um grande fornecedor global de petróleo, o que impede que petroleiros consigam carregar o produto em portos iranianos com destino à China. Essa indefinição sobre a escalada do conflito, incluindo a possibilidade de invasão, tem sido o motor da subida dos preços. O Irã é responsável por cerca de 4% da produção global (aproximadamente 4 milhões de barris por dia) e sua localização o torna um ponto nevrálgico para o fluxo de energia mundial.
O principal receio do mercado reside no risco de interrupção do fornecimento. Sanções mais duras dos Estados Unidos podem restringir as exportações iranianas, inclusive por vias indiretas, como para a China, retirando barris adicionais de circulação. Além disso, o Irã possui a capacidade de impactar a navegação no Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. Essa mera ameaça já pressiona os preços, aumentando a volatilidade do mercado energético.
Preço dos Combustíveis nos EUA: Crises Globais vs. Políticas Domésticas
O preço dos combustíveis nos Estados Unidos é determinado por uma combinação de fatores, incluindo o custo do petróleo, despesas de refino, distribuição, margens de postos e impostos federais e estaduais, sendo sensível à oferta e demanda local. A despeito das ações políticas, como a retirada de 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela por Trump para venda no mercado aberto, análises de dados históricos (2017 a 2026) indicam que as oscilações na gasolina nos EUA são mais sensíveis a crises globais do que a políticas presidenciais específicas, um padrão que também se reflete na influência da situação venezuelana.
Os dados históricos demonstram que os picos e vales nos preços dos combustíveis coincidem com eventos de grande impacto na dinâmica de oferta e demanda de petróleo, como desastres naturais, pandemias e conflitos armados. Por exemplo, a alta significativa em setembro de 2017 foi uma resposta direta ao Furacão Harvey, que paralisou refinarias no Texas. A mínima histórica de US$ 1,65 por galão, em abril de 2020, refletiu a queda drástica na demanda global causada pelos lockdowns da covid-19.
Um exemplo marcante de impacto geopolítico foi o pico em junho de 2022, durante a gestão Biden, quando o preço atingiu US$ 4,84 por galão, pressionado pelas sanções ao petróleo russo e a incerteza no fornecimento energético europeu. Essa correlação forte com eventos externos ressalta que, apesar das intervenções como a liberação de reservas, o fator dominante no custo final para o consumidor americano é a estabilidade do mercado global de energia, como a situação atual no Irã. Para mais informações sobre o setor de energia, visite o Portal Energia Limpa.
Visão Geral
A tensão geopolítica no Irã está ditando a trajetória atual do preço do petróleo Brent, superando os efeitos das políticas americanas focadas na Venezuela. A participação do Irã na oferta global e o risco de fechamento do Estreito de Ormuz garantem que a volatilidade permaneça alta. Nos EUA, o custo da gasolina confirma ser mais reativo a choques globais de oferta e demanda do que a manobras presidenciais de curto prazo, o que é crucial para entender a dinâmica de preços de combustíveis.






















