Entendendo o Prejuízo do BRB e Seu Impacto no Orçamento do GDF
O Prejuízo do BRB e Seu Impacto no Orçamento do GDF
Por Alex Galvão – DF
O prejuízo inicial estimado do Banco de Brasília (BRB) relacionado ao Banco Master, que era de R$ 4 bilhões, elevou-se preliminarmente para um valor significativo de R$ 16,7 bilhões, conforme investigações recentes.
Em paralelo, o orçamento projetado para o Governo do Distrito Federal (GDF) em 2026 está fixado em R$ 74,4 bilhões. Este montante será composto por R$ 45,9 bilhões provenientes do Tesouro Distrital e R$ 28,4 bilhões originários do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF).
Este orçamento representa um aumento de 11,71% em comparação com os R$ 66,6 bilhões previstos para 2025.
Impacto Direto na Polícia Civil (PCDF)
O rombo de R$ 16,7 bilhões do BRB equivale a alarmantes 36,3% da receita esperada da “fonte 100” do GDF.
A relevância para os policiais civis do DF é direta: o custeio da Polícia Civil é financiado pelo Fundo Constitucional, que constitui 38,2% do orçamento total do DF.
Adicionalmente, verbas destinadas a gratificações de chefias e o Serviço Voluntário Gratificado (SVG) são pagas pela “fonte 100”, a mesma afetada pelo prejuízo do BRB.
Existe uma lei distrital, cuja constitucionalidade foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que integra a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ao Regime Próprio de Previdência Social do Distrito Federal (Iprev-DF).
De acordo com o parágrafo segundo da Lei do Iprev (Lei Complementar nº 769/2008), a regulamentação previdenciária dos policiais civis do DF deve ser definida em lei complementar específica, considerando as particularidades estabelecidas pela Constituição Federal e pela Lei Federal nº 10.633/2002 (que criou o FCDF).
A Crise do Iprev-DF
O Iprev-DF também enfrenta dificuldades financeiras notáveis. Em 2015, o então governador Rodrigo Rollemberg retirou R$ 1,3 bilhão de um fundo para cobrir a folha de pagamento dos servidores ativos.
No ano seguinte, um novo saque de R$ 493 milhões foi realizado de forma arriscada para equilibrar as contas do GDF. Embora Rollemberg tenha anunciado em 2017 uma “recomposição” através da transferência de 16,47% das ações do BRB para o Iprev, o prejuízo atual do BRB impacta diretamente a saúde financeira do Instituto.
Atualmente, a PCDF e o GDF estão trabalhando na elaboração da Lei Complementar que regulamentará o parágrafo 2º da Lei Complementar nº 769/2008. A proposta inicial da polícia, vista como justa, está em fase de discussão com o governo e o próprio Iprev.
Desafios Pós-Reforma da Previdência
A situação é agravada pelo cenário dos policiais que ingressaram na corporação após a reforma da previdência de 2019 (implementada por Paulo Guedes e Bolsonaro). Essa reforma foi particularmente prejudicial aos policiais civis, especialmente aos novos membros da carreira, que perderam o direito à integralidade e paridade.
Além da ausência desses direitos, eles estão sujeitos a descontos previdenciários totais e não terão acesso a um sistema de previdência complementar adequado.
Neste contexto, a união dos policiais civis é mais fundamental do que nunca. Acima de debates sobre bonificações (como os discutidos atualmente na Polícia Federal e no Ministério da Justiça), a luta por uma aposentadoria justa é o que fornecerá a base para todas as outras reivindicações.
Haverá recursos disponíveis para bônus, SVG ou mesmo a paridade com a Polícia Federal?
Esta não é uma disputa política ou sindical, mas sim uma luta essencial pela garantia de direitos básicos para os policiais que dedicam suas vidas ao serviço do Estado.
(Alex Galvão é diretor parlamentar da Cobrapol e ex-presidente do Sinpol-DF)
Visão Geral
O prejuízo de R$ 16,7 bilhões do BRB representa uma fatia considerável (36,3%) da receita primária do GDF (“fonte 100”). Este cenário afeta diretamente o financiamento de serviços essenciais, como o custeio da PCDF, cujos recursos vêm do FCDF. A situação financeira do Iprev-DF, já abalada por saques passados, também é comprometida pela crise do BRB. A regulamentação previdenciária da PCDF, somada às dificuldades impostas aos novos policiais pela reforma de 2019, sublinha a urgência de uma união da categoria em torno de direitos previdenciários fundamentais, que são pré-requisitos para a sustentabilidade das demais reivindicações profissionais.
Créditos: Misto Brasil






















