Os pontos de alagamentos se tornam informações dispersas em perfis de redes sociais e em notas e matérias de veículos de imprensa
Os pontos de alagamentos se tornam informações dispersas em perfis de redes sociais e em notas e matérias de veículos de imprensa
Por Mônica Igreja – DF
No domingo (25), Brasília enfrentou alagamentos em diversas áreas. Vídeos divulgados nas redes sociais e reportagens da mídia documentaram a extensão dos alagamentos, a quantidade de água acumulada e os veículos submersos.
A recorrência de inundações no Distrito Federal é um problema conhecido que gera perdas financeiras tanto para os cidadãos quanto para o patrimônio público, financiado por impostos. Os prejuízos mais notáveis afetam veículos, infraestrutura, pavimentação e mobiliário urbano.
Este levantamento foi conduzido por geógrafos da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMS), utilizando dados fornecidos pela própria população.
Em um artigo publicado em fevereiro de 2025 (há um ano), os pesquisadores destacaram a ausência de “uma base de dados eficiente que seja espacializada, pública e oficial com o cadastro dos locais que alagam”.
Atualmente, no DF, dependemos de mapeamentos colaborativos e voluntários, alimentados por cidadãos e compilados por pesquisadores de universidades públicas e privadas.
Como resultado, os registros de alagamentos ficam dispersos em perfis de redes sociais e em notícias, o que significa que o poder público não utiliza essas informações para desenvolver soluções variadas que possam mitigar os prejuízos causados pelas inundações.
A iniciativa pública de 2021 da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Governo do Distrito Federal (Seduh/GDF), o Portal do Território Resiliente, que visava manter um mapeamento colaborativo, ficou inacessível, pois está “escondido” na plataforma GeoPortal, exigindo login, senha e um bom conhecimento técnico para lidar com dados georreferenciados. Essa barreira de acesso é significativa para o cidadão comum.
Esta série de artigos no Misto Brasil foca em Clima & Pessoas e na importância do nosso voto nas eleições (“Voto pelo Clima”). Visto que os alagamentos no DF são recorrentes, é urgente buscar inovações na gestão pública. Embora as obras “cinzas”, que envolvem grandes investimentos em cimento e infraestrutura, sejam importantes, elas não devem ser a única abordagem.
É no microambiente que os impactos são mais sentidos localmente e onde se pode obter maior eficácia. É fundamental que o GDF incorpore técnicas de desenvolvimento urbano de baixo impacto, cujo objetivo principal é gerenciar as águas pluviais.
Incentiva-se a observação em bairros e cidades do DF sobre a presença de jardins de chuva, pavimentos permeáveis, telhados verdes, biovaletas, e pequenos reservatórios para armazenamento e reuso da água da chuva, além de projetos que visem reduzir a área de asfalto e concreto em favor de mais áreas verdes.
A integração dessas medidas ao planejamento urbano, considerando as mudanças no padrão de chuvas (mais intensas e concentradas), auxilia a reter e infiltrar a água no solo, reabastecendo o lençol freático, removendo poluentes, diminuindo o volume de água em enxurradas, permitindo o armazenamento para reuso e mitigando ilhas de calor.
Inovação não se restringe à tecnologia; ela abrange a gestão e a criação de projetos capazes de reduzir os danos materiais e as perdas de vidas diante do novo regime de chuvas que atinge Brasília.
Visão Geral
O texto aborda a recorrência dos alagamentos em Brasília, destacando que as informações sobre esses eventos estão fragmentadas em redes sociais e mídias, sem serem consolidadas em uma base de dados oficial e acessível ao poder público. Pesquisas acadêmicas apontam a falta de um cadastro eficiente desses pontos críticos. A autora critica a ineficácia das iniciativas públicas existentes, como o Portal do Território Resiliente, devido às barreiras de acesso. O artigo, inserido em uma série sobre Clima & Pessoas, defende que, além das grandes obras de infraestrutura, é crucial investir em soluções de baixo impacto no microambiente urbano, como jardins de chuva e pavimentos permeáveis, para gerenciar melhor as águas pluviais, reduzir enchentes e promover a sustentabilidade urbana.
Créditos: Misto Brasil






















