A Polícia Federal confirmou a existência de um complexo Golpe da energia solar em MS, que já vitimou consumidores e desviou milhões, alertando o setor de energia limpa.
Conteúdo
- O Elo Frágil: Confiança Explorada em Meio ao Boom
- Desvendando a Engenharia da Fraude Solar e a Geração Distribuída (GD)
- O Prejuízo Reputacional para a Energia Limpa
- Blindando o Setor: O Papel do Compliance e da Transparência
- Visão Geral
O Elo Frágil: Confiança Explorada em Meio ao Boom da Energia Solar
A atratividade da energia solar reside na sua previsibilidade de retorno financeiro. Clientes veem a instalação como um investimento seguro contra o aumento das tarifas. Os fraudadores exploraram essa confiança cega, posicionando-se como integradores ou intermediários milagrosos.
Os esquemas, segundo a PF, frequentemente envolviam a venda de projetos com custos exorbitantes, a utilização de equipamentos de qualidade inferior ou, pior, a captação de valores para instalações que jamais foram sequer iniciadas. O dinheiro, destinado à transição energética, acabou no bolso de criminosos.
Este golpe evidenciou que a falta de fiscalização rigorosa em contratos de médio porte e a ausência de verificação detalhada sobre a idoneidade das empresas facilitaram a ação dos criminosos. O entusiasmo do consumidor por energia limpa foi explorado de forma predatória.
Desvendando a Engenharia da Fraude Solar e a Geração Distribuída (GD)
A arquitetura da fraude solar em MS parece seguir um padrão conhecido no setor: a promessa de um retorno ultrarrápido, muitas vezes vendendo a ideia de financiamentos “pré-aprovados” ou descontos que eram, na verdade, inflacionados no valor final do sistema.
Os golpistas atuavam oferecendo soluções completas, desde o projeto até a homologação junto à concessionária. No entanto, a documentação técnica frequentemente era inconsistente, ou os equipamentos especificados nunca eram entregues ou instalados conforme o contrato.
Muitas vítimas relataram ter pago adiantamentos significativos, baseados na urgência imposta pelos vendedores, o que permitiu o rápido desvio dos milhões. A complexidade técnica da GD acaba sendo uma barreira para o consumidor leigo, que se sente compelido a confiar cegamente no “especialista” que promete a economia na fatura.
A Alpha Energy Capital, empresa investigada pela Polícia Federal no chamado “golpe da energia solar”, fez pelo menos duas vítimas em Mato Grosso do Sul, que buscam na Justiça a devolução de R$ 288 mil. A empresa prometia rendimentos mensais de 4% a 5% através da comercialização de créditos de energia solar. Um servidor federal investiu R$ 114 mil entre julho de 2024 e janeiro de 2025, enquanto outro investidor de Dourados aplicou R$ 136 mil em agosto de 2024. A empresa, que movimentou ilegalmente cerca de R$ 151 milhões, divulgava possuir 11 usinas solares, mas investigações revelaram a existência de apenas uma unidade conectada à rede
O Prejuízo Reputacional para a Energia Limpa
Para os players sérios do mercado de energia solar — engenheiros, instaladores certificados e fabricantes de qualidade — o golpe da energia solar representa um risco reputacional imenso. O consumidor final, após ser lesado, tende a generalizar a desconfiança para toda a tecnologia.
O impacto é sentido no custo de aquisição de clientes (CAC) de empresas idôneas, que precisam gastar mais tempo e recursos para educar o mercado sobre a diferença entre uma proposta legítima e uma fraude. A associação da energia solar a esquemas de desvio de milhões mancha a imagem da sustentabilidade como um todo.
Este é um apelo direto à autorregulação do mercado. A comunidade técnica precisa se posicionar de forma proativa contra práticas ilícitas que minam a confiança pública no setor de energia renovável.
Blindando o Setor: O Papel do Compliance e da Transparência
A ação da PF em MS deve servir como um catalisador para a adoção de padrões mais rígidos de due diligence e compliance por parte das empresas instaladoras. O mercado precisa se proteger de forma interna.
Profissionais sérios devem orientar seus clientes a jamais aceitarem contratos com margens de lucro irrealistas ou exigências de pagamento integral antes da entrega final dos equipamentos e da aprovação do projeto pela distribuidora. A transparência no custo dos componentes e na cadeia de suprimentos é a melhor defesa.
A colaboração entre empresas, associações setoriais e órgãos reguladores (como ANEEL) é fundamental para criar listas de alerta e compartilhar know-how sobre os métodos fraudulentos em circulação.
Em última análise, enquanto a energia solar é uma tecnologia limpa e economicamente superior, a integridade de quem a comercializa deve ser inquestionável. O golpe expõe uma falha na governança do boom da GD. Proteger o consumidor não é apenas uma questão ética; é uma necessidade estratégica para garantir a contínua expansão sustentável da energia limpa no Brasil.
Visão Geral
A Alpha Energy Capital tem sido citada à revelia, ou seja, sem ser localizada para citações formais. Em âmbito nacional, a empresa teria “desaparecido”, apesar de afirmar, em comunicado oficial divulgado em março de 2025, que atuava de boa-fé e que não conseguia realizar os pagamentos prometidos devido ao bloqueio judicial de suas contas pela Polícia Federal
O rápido crescimento e a promessa de economia da energia solar fotovoltaica no Brasil, impulsionada pela Geração Distribuída (GD), criaram um campo fértil para ações criminosas. A Polícia Federal (PF) em Mato Grosso do Sul (MS) confirmou o que muitos temiam: um Golpe da energia solar sofisticado que já fez vítimas e desviou milhões de reais. Para os profissionais que atuam na cadeia de valor da energia limpa, esta investigação serve como um doloroso alerta sobre a necessidade urgente de compliance e transparência dentro do setor. A credibilidade da fonte renovável está sob ataque.






















