Graves Instabilidades Afetam o Acesso aos Serviços do INSS Desde Janeiro
Graves Instabilidades Afetam o Acesso aos Serviços do INSS Desde Janeiro
Por João Badari – DF
Desde o dia 19 de janeiro, o sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem enfrentado sérias instabilidades. A transição para serviços públicos digitais é um avanço que, quando funciona bem, traz eficiência, transparência e maior acesso. Contudo, as falhas tecnológicas têm consequências diretas que afetam a vida das pessoas, gerando problemas sociais e jurídicos.
A recente dificuldade de acesso aos sistemas do INSS evidencia essa vulnerabilidade.
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Durante vários dias seguidos, os usuários relataram grandes dificuldades, ou até mesmo a impossibilidade total, de acessar o site e o aplicativo do órgão. Isso paralisou serviços cruciais, como solicitação de aposentadorias, pedidos de auxílio-doença, marcação de perícias, emissão de extratos e atualização de cadastros.
Isso não é apenas um erro técnico; significa que direitos sociais importantes estão sendo adiados.
O INSS atende a uma população que, por definição, não pode esperar: aposentados, pensionistas, pessoas doentes e cidadãos em situação de vulnerabilidade que dependem desse pagamento mensal para sua subsistência. Para este grupo, a garantia de que o sistema funcionará é uma necessidade básica. Qualquer interrupção prolongada gera insegurança financeira, ansiedade e, em muitos casos, privação.
É fundamental reconhecer a necessidade da modernização tecnológica do Estado. Digitalizar serviços amplia o alcance, reduz filas presenciais e otimiza a gestão. O problema surge quando falta estabilidade, planos de contingência e comunicação clara durante as falhas.
É notável que o governo havia avisado sobre uma indisponibilidade programada entre 27 e 30 de janeiro, mas as instabilidades já estavam ocorrendo muito antes desse período notificado.
Quando um sistema essencial fica fora do ar, como fica a situação dos prazos administrativos? Os direitos dos segurados são mantidos automaticamente?
Existe uma orientação clara para o cidadão sobre o que fazer? A falta de respostas precisas faz com que o ônus da falha do governo recaia sobre o indivíduo, justamente quem mais necessita do amparo estatal.
Serviços Previdenciários São, Por Natureza, Essenciais
Outra consequência séria é o acúmulo não planejado de solicitações. Quando o sistema volta a funcionar, o volume de processos represados sobrecarrega ainda mais a infraestrutura já pressionada.
O resultado é previsível: atrasos na análise, demora na liberação de benefícios e um aumento na busca por soluções judiciais. Um problema técnico isolado se transforma, assim, em uma crise institucional.
Há também um impacto indireto sobre os profissionais que trabalham com o sistema previdenciário. Advogados, contadores e empresas ficam impedidos de cumprir prazos, dar o suporte correto aos seus clientes e avançar em procedimentos que dependem exclusivamente da plataforma digital.
A insegurança se espalha por todo o funcionamento do sistema.
Não se trata de apontar culpados individuais, mas sim de exigir responsabilidade institucional. Os serviços previdenciários são inerentemente essenciais. Ao centralizar esses serviços no ambiente digital, o Estado assume o dever de assegurar estabilidade, redundância e transparência.
A tecnologia deve facilitar o acesso a direitos, e não se tornar um obstáculo. Quando falhas ocorrem, é imprescindível haver uma resposta ágil, comunicação transparente e mecanismos automáticos de proteção ao cidadão. Caso contrário, corre-se o risco de transformar a inovação em uma barreira e a modernização em exclusão social.
Visão Geral
A Previdência Social é mais do que um aparato administrativo; é uma rede de segurança que ampara milhões de brasileiros. Qualquer falha em seu sistema deve ser tratada com a máxima seriedade. Afinal, quando o sistema falha, o que se perde são expectativas, renda e, frequentemente, a dignidade daqueles que dependem dele.
Inovar é necessário. Proteger direitos, é ainda mais prioritário.
(João Badari é advogado especialista em Direito Previdenciário e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados)
Créditos: Misto Brasil






















