Governos municipais estão transformando o mercado imobiliário com regulamentações que exigem desempenho real dos edifícios, impulsionando a modernização urbana.
Governos municipais têm trabalhado ativamente em regulamentações, exigindo desempenho real dos edifícios e impulsionando um novo ciclo de retrofit, eletrificação e modernização urbana. É o que aponta o relatório City Climate & Resilience Policy Tracker, produzido pela JLL. O estudo analisou políticas climáticas e de resiliência em 75 cidades ao redor do mundo, marcando a transição de metas para a execução regulatória no setor imobiliário global.
Para Luciana Arouca, diretora de Sustentabilidade da JLL, “as cidades entraram em uma fase de execução regulatória e isso transforma profundamente a equação de risco, valor e competitividade dos ativos imobiliários”. Essa mudança aumenta a pressão sobre edifícios com baixa eficiência energética e maior intensidade de carbono, que enfrentam risco crescente de obsolescência. Ela enfatiza que “em eficiência, eletrificação e geração renovável, antecipar-se não é mais diferencial, é pré-requisito competitivo para investidores e gestores”. A implementação de normas municipais é, portanto, um fator crucial que redefine a longevidade e a atratividade dos empreendimentos.
Normas Vinculantes de Desempenho e Eletrificação
Das 75 cidades analisadas no estudo da JLL, 31 (41%) já estabeleceram Building Performance Standards (BPS). Estes são padrões legais que impõem limites específicos de energia ou emissões para edifícios já existentes, com a possibilidade de aplicação de penalidades progressivas em caso de não conformidade. Isso significa que a adequação regulatória passa a impactar diretamente métricas essenciais do mercado imobiliário, como valor de mercado, liquidez dos ativos e o planejamento estratégico de grandes portfólios de investimento. Adicionalmente, observa-se um avanço significativo na eletrificação de novas construções, onde várias cidades estão restringindo ou proibindo o uso de sistemas baseados em combustíveis fósseis.
O relatório indica que, até 2026, 17 cidades têm planos de banir totalmente os combustíveis fósseis em novas obras. Muitas dessas localidades já impõem a exigência de que novos projetos incorporem a geração renovável no local ou sejam construídos com infraestrutura pronta para tal adaptação futura. Esse movimento consolida a construção e a energia como agendas indissociáveis no desenvolvimento urbano contemporâneo, forçando o mercado a migrar rapidamente para soluções de baixa emissão e alta eficiência energética.
Foco na Resiliência Climática e Incentivos ao Retrofit
Outro ponto destacado é a inclusão da resiliência climática no foco regulatório das administrações municipais. Os códigos de construção estão sendo atualizados para incorporar requisitos de adaptação a cenários climáticos adversos, abrangendo desde a gestão eficiente de calor e drenagem até proteções específicas contra eventos climáticos extremos. A JLL ressalta que a eficácia dessas medidas depende do acompanhamento de investimentos estruturais na infraestrutura urbana mais ampla. Paralelamente, muitas cidades estão utilizando instrumentos de estímulo, como subsídios, empréstimos com taxas favoráveis e isenções fiscais, para motivar a modernização de edificações já existentes.
Esses incentivos financeiros têm um papel fundamental ao acelerar o processo de retrofit profundo. A modernização visa não apenas reduzir as emissões de carbono dos prédios, mas também prevenir a obsolescência técnica e regulatória do parque imobiliário atual. São Paulo, por exemplo, já implementou rodadas de financiamento para apoiar a atualização de edifícios, com foco especial no centro da cidade, demonstrando o papel ativo da política local na transformação do setor.
Posicionamento do Brasil e o Potencial de São Paulo
O estudo posiciona o Brasil como um líder regional na América Latina, uma vantagem atribuída à sua matriz elétrica predominantemente limpa, com mais de 90% da eletricidade oriunda de fontes renováveis, majoritariamente hídrica, mas com um crescimento notável de solar e eólica. Embora a matriz energética total do país ainda dependa de combustíveis fósseis em setores como transporte e indústria, essa força na eletricidade limpa estabelece uma base estrutural robusta para acelerar a transição no mercado imobiliário.
O relatório também evidencia o protagonismo de São Paulo, que está focada em se estabelecer como um polo de energia distribuída. A capital paulista está aumentando a implementação de energia solar em telhados e promovendo comunidades energéticas, seguindo as diretrizes de seu plano municipal de clima. Novas regras urbanísticas na cidade incentivam edificações “solar-ready” e atrelam a aprovação de obras e retrofits de edifícios públicos ao cumprimento de metas de energia renovável.
Para Luciana Arouca, esta combinação de matriz limpa e políticas municipais estruturadas oferece uma oportunidade “única para que o Brasil avance rapidamente em eficiência, eletrificação e renováveis no setor imobiliário”.
Acesse o relatório City Climate & Resilience Policy Tracker completo aqui.




















