Curtailment no Brasil: Desafios de Transmissão na Geração de Energia Limpa

Curtailment no Brasil: Desafios de Transmissão na Geração de Energia Limpa
Curtailment no Brasil: Desafios de Transmissão na Geração de Energia Limpa - Foto: Reprodução / Freepik
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Apesar de uma matriz energética predominantemente limpa, o Brasil enfrenta o paradoxo do curtailment, onde a geração de energia limpa é forçada a ser reduzida devido a restrições na rede de transmissão.

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O Fenômeno Curtailment: Quando o Excesso Vira Problema

O curtailment é a manifestação física do descompasso entre a velocidade da geração e a lentidão da transmissão. Nos últimos anos, especialmente no Nordeste, a potência instalada em eólica e solar cresceu exponencialmente, aproveitando as vantagens geográficas da região. No entanto, a infraestrutura projetada para transportar essa energia até os grandes centros consumidores (principalmente Sudeste e Sul) não acompanhou o ritmo.

O ONS monitora constantemente a frequência e a tensão do SIN. Quando a injeção de energia supera a capacidade de escoamento das linhas, ou quando a intermitência das fontes não é devidamente sincronizada, o risco de sobrecarga e blecaute se torna real. Para proteger o sistema, o ONS emite ordens de curtailment, forçando o desligamento temporário dos parques mais produtivos.

Segundo dados de consultorias e entidades do setor, as perdas acumuladas por esse desperdício já ultrapassaram a marca de R$ 2 bilhões nos últimos dois anos. Esse valor representa o potencial econômico não realizado da energia limpa, que poderia estar sendo comercializada ou compensando o acionamento de usinas mais caras e poluentes.

O Gargalo da Transmissão: Uma Dívida Histórica

A principal causa estrutural do curtailment é a deficiência crônica na infraestrutura de transmissão. A expansão da rede não segue o mesmo ciclo acelerado de leilões e instalação de parques geradores. Enquanto um projeto solar ou eólico pode ser construído em 18 a 36 meses, a instalação de novas linhas de transmissão de alta tensão, incluindo o licenciamento ambiental e a construção, pode levar de 5 a 10 anos.

O Nordeste, notadamente a região mais afetada, gera muito mais energia limpa do que suas redes locais conseguem escoar para o restante do país. O estrangulamento nos elos de conexão impede que o excedente chegue onde é necessário, resultando no desperdício. Essa falta de planejamento integrado entre geração e transmissão é uma falha regulatória histórica que agora atinge o pico de sua relevância.

A expansão e modernização da rede de transmissão exigem um investimento prioritário. É fundamental que os leilões de transmissão sejam desenhados não apenas para atender a demanda atual, mas para antecipar o crescimento da matriz renovável, garantindo a segurança e a viabilidade econômica da energia eólica e solar.

O Paradoxo Caro: Termelétricas e Instabilidade

O lado mais cruel do desperdício de energia limpa é o seu impacto no bolso do consumidor e no meio ambiente. Quando o curtailment corta a energia solar ou eólica de baixo custo, o ONS muitas vezes precisa compensar a estabilidade da rede acionando as usinas termelétricas, movidas a gás natural ou óleo combustível.

Essa manobra, embora tecnicamente necessária, é um revés em termos de sustentabilidade e economia. As termelétricas são mais caras, elevando o Custo Marginal de Operação (CMO), e mais poluentes. O Brasil corta a energia barata e limpa, paga caro pela energia fóssil e ainda emite mais gases de efeito estufa. Este é o paradoxo energético brasileiro em sua máxima evidência.

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A intermitência das fontes solar e eólica exige soluções de flexibilidade. O SIN precisa de instrumentos que permitam absorver o excesso de geração rapidamente. Enquanto a hidroeletricidade sempre cumpriu esse papel, o nível dos reservatórios e a necessidade de preservar o uso múltiplo da água impõem limites.

Soluções: O Triunfo do Armazenamento e a Evolução do Hidrogênio

A mitigação do desperdício de energia limpa passa, inevitavelmente, por três pilares de investimento e inovação. O primeiro é o avanço das Linhas de Transmissão. Os projetos licitados e em construção devem ser acelerados para desafogar os gargalos regionais.

O segundo pilar é a tecnologia de armazenamento em grande escala (BESS – Battery Energy Storage Systems). Os BESS permitem que a energia excedente gerada durante o pico solar do meio-dia, ou no pico eólico da madrugada, seja armazenada e injetada na rede em momentos de baixa geração ou alta demanda, eliminando a necessidade de curtailment e o acionamento de termelétricas. O Brasil está atrasado na adoção de BESS em escala de rede.

O terceiro pilar, de longo prazo, é a conversão do excedente de energia limpa em valor através do Hidrogênio Verde. O Brasil tem o potencial de utilizar o excesso de eólica e solar para produzir hidrogênio, transformando o desperdício em um vetor energético de alto valor agregado e exportável.

O Desafio Profissional: Da Geração à Gestão de Fluxo

Para os profissionais do setor elétrico, o tema do desperdício transcende a engenharia. É um desafio de governança e planejamento. A revolução das energias limpas exige uma revolução correspondente na infraestrutura de suporte. A matriz energética do futuro não será apenas sobre o quanto geramos, mas sobre quão bem gerenciamos o fluxo.

A eficiência do SIN depende da nossa capacidade de integrar tecnologias como BESS e de acelerar o investimento em transmissão. O desperdício de energia limpa no Brasil não é uma fatalidade; é o resultado direto da inação regulatória em um cenário de rápida mudança tecnológica.

Superar o curtailment e utilizar 100% do potencial renovável significa garantir um fornecimento mais seguro, mais barato e verdadeiramente sustentável para o país. É o próximo grande passo para consolidar a liderança energética brasileira no cenário global.

Visão Geral

O curtailment expõe uma fragilidade crítica no setor elétrico brasileiro: a incapacidade da infraestrutura de transmissão de acompanhar o rápido crescimento das fontes solar e eólica. Este desperdício de energia limpa no Brasil gera custos bilionários, força o acionamento de termelétricas poluentes e compromete a sustentabilidade do sistema. A solução exige investimento imediato em novas linhas de transmissão, adoção de tecnologias de armazenamento (BESS) e um planejamento integrado para garantir a plena utilização da matriz renovável.

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