ANEEL Avança na Definição da Valoração da Geração Distribuída com Análise de Modelos Globais

ANEEL Avança na Definição da Valoração da Geração Distribuída com Análise de Modelos Globais
ANEEL Avança na Definição da Valoração da Geração Distribuída com Análise de Modelos Globais - Foto: Reprodução / Freepik AI
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A ANEEL iniciou uma Tomada de Subsídios focada em modelos internacionais para definir a metodologia de valoração da GD, consolidando a Lei 14.300.

### Conteúdo

* O Coração da Controvérsia: A Valoração da Energia Injetada
* O Motor da Lei 14.300: Segurança e Cronograma
* Os Modelos Internacionais em Análise pela ANEEL
* O Impacto da Tomada de Subsídios no Custo Nivelado de Energia (LCOE)
* Próximos Passos: O Horizonte Regulatório Pós-TS

### O Coração da Controvérsia: A Valoração da Energia Injetada

A principal questão em debate reside na compensação da energia excedente que os sistemas de MMGD injetam na rede elétrica. Historicamente, o sistema de *net metering* garantia a compensação integral do custo da tarifa (fio A + fio B + encargos). A Lei 14.300, o Marco Legal da GD, estabeleceu uma transição gradual para um modelo onde os custos de uso da rede serão cobrados parcialmente dos geradores.

A Tomada de Subsídios é o instrumento que a ANEEL utiliza para coletar dados, estudos técnicos e, crucialmente, experiências de sucesso em outros países. O objetivo não é apenas implementar o que a Lei 14.300 determinou, mas garantir que a metodologia de valoração da GD seja robusta, justa e economicamente sustentável para todo o Sistema Interligado Nacional (SIN).

O foco da ANEEL está em entender como jurisdições maduras lidam com a questão do *custo não-geracional*. Este custo, composto principalmente pelas Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), é o ponto nevrálgico. Uma valoração da MMGD inadequada pode desincentivar novos investimentos ou, inversamente, transferir indevidamente custos de rede para os consumidores cativos, gerando o temido “custo de subsídio cruzado”.

### O Motor da Lei 14.300: Segurança e Cronograma

A Lei 14.300, sancionada em 2022, estabeleceu o novo marco legal para a Geração Distribuída, pondo fim à incerteza regulatória que pairava sobre o setor. A abertura desta Tomada de Subsídios demonstra que a ANEEL está cumprindo rigorosamente seu cronograma de regulamentação, preparando o terreno para a implementação plena das novas regras de transição.

A nova legislação previu que, a partir de janeiro de 2023, novos projetos passariam a arcar com os custos da componente tarifária relativa ao Fio B – a parcela da tarifa que remunera a distribuidora pela rede de baixa tensão. Contudo, a metodologia exata de valoração da GD a longo prazo, especialmente após o período de transição, é o que a ANEEL busca refinar com os modelos internacionais.

Para o profissional de energia, este avanço regulatório é sinônimo de segurança jurídica. A capacidade de prever os custos e receitas de um projeto de MMGD é vital. A clareza regulatória garantida pela plena implementação da Lei 14.300 é o que impulsiona o financiamento e a expansão contínua da Geração Distribuída no país.

### Os Modelos Internacionais em Análise pela ANEEL

A Tomada de Subsídios da ANEEL não é um exercício teórico, mas uma busca por soluções pragmáticas já testadas globalmente. Três tipos de modelos internacionais frequentemente citados em debates sobre valoração da GD devem estar sob o microscópio da Agência: *Net Billing*, *Feed-in Tariff (FIT)* e a Valoração da GD baseada em Custos e Benefícios.

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O *Net Billing* (ou Faturamento Líquido), adotado em lugares como a Califórnia (EUA), compensa a energia injetada a um preço menor do que a energia consumida da rede. Isso reflete melhor o valor evitado de geração e evita que a GD escape totalmente dos custos de rede. Este modelo é visto como uma alternativa mais justa ao *Net Metering* puro, pois atribui um valor mais realista ao excedente.

O *Feed-in Tariff* (FIT), popularizado na Alemanha e em partes da Europa, remunera a energia injetada a um preço fixo, pré-determinado e geralmente incentivado. Embora tenha sido fundamental para a expansão inicial da energia limpa, seu custo elevado e a complexidade de gestão o tornaram menos popular para a GD em larga escala em mercados maduros.

A terceira via, e talvez a mais complexa, é a Valoração da GD baseada na análise completa de custos e benefícios para a rede e a sociedade. Este modelo tenta quantificar os benefícios ambientais, a redução de perdas técnicas e a postergação de investimentos em transmissão/distribuição que a MMGD proporciona, comparando-os com os custos de rede evitados e os custos de sobrecarga do sistema.

### O Impacto da Tomada de Subsídios no Custo Nivelado de Energia (LCOE)

A definição da metodologia de valoração da MMGD é um fator crítico na determinação do Custo Nivelado de Energia (LCOE) de projetos solares e de outras fontes de GD. Se a compensação pela energia injetada for drasticamente reduzida, o *payback* dos investimentos será alongado, exigindo que os sistemas se tornem mais eficientes ou que a estrutura de capital mude.

A ANEEL tem o desafio de garantir que a nova regra não mate o mercado, que é um motor de crescimento econômico e de descarbonização. A Tomada de Subsídios é, portanto, um momento de defesa de teses econômicas. Os agentes da Geração Distribuída devem apresentar dados robustos que demonstrem o valor agregado da MMGD para a rede, além do simples benefício de evitar o uso de termelétricas mais caras.

A participação ativa de associações, investidores e pesquisadores na TS é essencial. É a oportunidade de influenciar a decisão final da ANEEL com base em dados de mercado, mitigando o risco de que os modelos internacionais sejam aplicados sem a devida adaptação às particularidades regulatórias e tarifárias brasileiras.

### Próximos Passos: O Horizonte Regulatório Pós-TS

Após o encerramento da Tomada de Subsídios, a ANEEL irá consolidar as contribuições, realizar análises técnicas aprofundadas e propor uma minuta de Resolução Normativa. Este processo culminará em uma Audiência Pública, onde a proposta final para a metodologia de valoração da GD será apresentada e debatida.

A expectativa do mercado é que o processo de regulamentação da Lei 14.300 avance rapidamente no segundo semestre, garantindo que a regra definitiva esteja clara antes que os prazos de transição se encerrem para as diferentes faixas de potência e enquadramentos tarifários da MMGD. O futuro da Geração Distribuída brasileira está sendo desenhado agora, com forte inspiração nas lições aprendidas nos modelos internacionais.

### Visão Geral

Em resumo, a abertura da Tomada de Subsídios sobre modelos internacionais de valoração da MMGD é mais do que um ato burocrático. É o marco que leva o Brasil a debater a próxima fronteira econômica da energia limpa, garantindo que a expansão da Geração Distribuída continue, mas agora sob uma nova e madura arquitetura de custos e benefícios. O setor elétrico aguarda ansiosamente as conclusões desta análise global.

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